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        Jairzinho: o Furacão da Copa

        Texto por Carlos Ramos
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        No início da década de 1960, o jovem menino Jair Ventura Filho chegava no Botafogo. Olhava para um lado e tinha Garrincha, seu grande ídolo; para o outro, nomes como Didi, Gerson, Zagallo, Nilton Santos. No meio de grandes craques, o menino não demorou a sobressair. 

        Jairzinho se mudou com a família para a rua General Severiano ainda no fim da década de 1950. O menino logo começou a treinar nas divisões de base do Botafogo. Até que chegou ao profissional para jogar com seus ídolos. 

        A parceria com Garrincha não durou muito. Em 1966, o Gênio das Pernas Tortas foi para uma aventura no Corinthians. Naquele mesmo 1966, porém, os dois voltaram a se encontrar: ambos estariam entre os convocados por Vicente Feola para a Copa do Mundo. 

        Uma hora antes da estreia, o técnico Vicente Feola definiu o time, e o jovem Jair seria titular, só que na ponta esquerda (o atacante costumava jogar do outro lado). Garrincha seria o ponta direita. O Brasil estreou com vitória sobre a Bulgária, com um gol de Garrincha e outro de Pelé. Jairzinho foi bem. 

        Mas aquela Copa acabou com decepção: a seleção brasileira perdeu para Hungria e Portugal e acabou eliminada ainda na primeira fase. O melhor para Jairzinho ainda estaria por vir. Quatro anos mais tarde, ele chegaria ao topo do mundo. 

        O Furacão da Copa de 1970

        Com dribles desconcertantes, Jairzinho assumiu protagonismo em um Botafogo sem Garrincha. Apesar de não ter atuado na Taça Brasil conquistada pelo Botafogo, em 1968 (por lesões e convocações para a seleção), o ponta, em 1967/68, conquistou o bicampeonato da Taça Guanabara e do Campeonato Carioca. Em 1970, o jogador seria protagonista sem o ídolo, Garrincha, também na seleção. 

        No México, apesar de a seleção ter Pelé, Tostão, Gerson, Rivellino, em um dos melhores times da história, quem conseguiu grande destaque foi Jairzinho. Logo na estreia, o ponta botafoguense marcou dois gols na goleada sobre a Tchecoslováquia

        Jairzinho ganhou o apelido de Furacão porque atropelava os zagueiros. Driblava com e sem a bola. E, quando era necessário, resolvia as coisas com gols. Contra a Inglaterra, marcou o único gol da vitória brasileira. Nas quartas, com um tento aos 30 do segundo tempo, acabou com a esperança do Peru, do craque Cubillas. 

        Na semifinal, contra o Uruguai, e na lendária final, contra a Itália, Jairzinho marcou. Foram, ao todo, sete gols em seis jogos. O Furacão marcou em todos os jogos daquela Copa, e acabou celebrando com título, no topo do mundo. 

        Atacante não conseguiu levar Bota ao topo do Brasil e da América

        Jair voltou em alta ao Rio e seguiu com grandes feitos no Botafogo. Em 1972, marcou três vezes na goleada botafoguense sobre o Flamengo, por 6 a 0, a maior do clube em Campeonatos Brasileiros. 

        Naquele mesmo ano, Jairzinho quase levou o Glorioso a um feito inédito: ganhar o Campeonato Brasileiro (só havia conquistado a extinta Taça Brasil). Na final, porém, o Furacão não conseguiu derrubar a forte defesa palmeirense e um 0 a 0 acabou dando o título aos paulistanos, que detinham melhor campanha. 

        Com boas campanhas nacionais, Jairzinho ainda tentou colocar o Bota no topo da América. Também não conseguiu. Em 1973, chegou a qualificar o time para uma segunda fase de grupos, que colocaria os dois primeiros na final. Para isso, Jairzinho marcou o gol decisivo da vitória sobre o Palmeiras, desempatando a primeira fase de grupos e classificando os botafoguenses. Só que, na fase decisiva, Independiente e Colo-Colo sobressaíram. 

        Copa no sacrifício

        Em 1974, Jairzinho foi convocado para outra Copa pela seleção brasileira. Dessa vez, o grupo teve de se preparar debaixo do frio europeu. Anos mais tarde, o ex-atacante confessou que, logo no primeiro jogo, 0 a 0 com a Iuguslávia, acabou se machucando. 

        Jairzinho seguiu, mesmo assim, titular do time, e jogou os 90 minutos de todos os jogos. Na 2ª fase de grupos, inclusive, marcou o gol da vitória no clássico contra a Argentina. Na semifinal, porém, não conseguiu evitar derrota para a Holanda, de Johan Cruyff, que fez um gol e deu uma assistência no 2 a 0. 

        Jairzinho seguiu na Europa depois da Copa. No Olympique de Marseille, viveu sua primeira, e única, temporada no futebol europeu. Marcou nove gols em 18 jogos do Campeonato Francês na temporada 1974/75. 

        O atacante voltaria ao Brasil em 1976, depois de passagem ainda na África do Sul, e conquistaria, em Belo Horizonte, o que não havia conseguido no Rio de Janeiro. Pelo Cruzeiro, Jairzinho foi campeão da América, sendo vice-artilheiro da Libertadores daquele ano, com 12 gols, um a menos que Palhinha, seu grande parceiro no ataque. Jairzinho jogou ainda o Mundial de Clubes daquele ano pela Raposa, mas o Bayern, de Gerd Müller, acabou campeão. 

        Depois de um grande ano na Raposa, Jairzinho rodou em equipes de menor expressão na América do Sul e no Brasil. No início da década de 1980, ainda voltou ao Botafogo, mas o Furacão já não era o mesmo. O atacante encerrou a carreira com 33 gols e 69 jogos pela seleção brasileira, se tornando ídolo em General Severiano e respeitado pelos cruzeirenses. 

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        Jairzinho (BRA)
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