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Bergkamp: o holandês que voava só em campo

Texto por Vasco Souza
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Conhecido pelos gols bonitos e pela fobia de andar de avião, Dennis Bergkamp é considerado um dos melhores jogadores de todos os tempos na Holanda e na Premier League. Filho de um jogador de futebol amador, Bergkamp herdou o nome do atacante escocês Dennis Law, de quem o pai era fã.

Aos 11 anos, Bergkamp entrou na escola de formação do Ajax, considerada uma das melhores academias futebolísticas do Mundo. E assim a história começou a ser escrita...

Estreia, títulos e gols em Amesterdã

Com apenas 17 anos, Dennis Bergkamp estreou no time principal do Ajax, lançado por Johan Cruyff, a maior figura da história do clube. Logo na primeira temporada como profissional, foi utilizado com regularidade e conquistou a Recopa da Europa, vencida pelo clube holandês diante do Leipzig, com gol de van Basten.

Com a saída de Marco van Basten para o Milan, Bergkamp ganhou cada vez mais espaço na equipe. Voltou a disputar a final da Recopa, desta vez perdendo para o Mechelen, da Bélgica.

Uma série de 11 jogos balançando as redes em 1988/89 mostrou que estávamos diante de um caso sério. Mas foi em 1989/90 que Bergkamp se tornou um verdadeiro ídolo dos torcedores, ao ser protagonista do time que conquistou o holandês, interrompendo uma série de quatro títulos consecutivos do rival, PSV.

Por Amesterdã ficou até 1992, se despedindo do clube com mais um título europeu (Copa Uefa) e com média superior a um gol a cada dois jogos. Por esta altura, já tinha conquistado a titularidade na seleção holandesa, em renovação depois da participação abaixo do esperado na Copa do Mundo de 1990. Apesar da desilusão holandesa na Eurocopa de 1992 (os holandeses, atuais campeões, foram eliminados na semifinal pela Dinamarca), o jovem de 23 anos se mostrou ao mundo, com três gols e excelentes exibições.

Desilusão italiana

Depois do terceiro título de artilheiro do Campeonato Holandês, Bergkamp transferiu-se para a Internazionale. Na altura, a Serie A era considerada a melhor liga do mundo e um objetivo para qualquer jogador. O clube nerazzurri tinha a ambição de terminar com o domínio do rival, Milan, na competição. A contratação de Bergkamp era vista como uma super transferência, até porque em 1992 e 1993 o jogador ficou entre os finalistas da Bola de Ouro.

Contudo, a experiência no clube milanês não correu tão bem quanto Bergkamp desejaria. A dificuldade de adaptação ao futebol italiano, as táticas mais defensivas utilizadas pelos treinadores locais e uma personalidade mais reservada fizeram com que Bergkamp não conseguisse render tanto quanto se esperava. O título na Copa Uefa, em 1994 (tendo terminado a competição como artilheiro), foi o melhor momento do atacante na Itália.

Depois de uma participação de destaque na Copa de 1994, vencida pelo Brasil, esperava-se que Bergkamp explodisse finalmente em Milão. Mas a temporada 1994/95 foi ainda pior que a anterior. Apenas três gols marcados na Serie A fizeram com que sofresse muitas críticas e que muitos colocassem em dúvida a sua qualidade futebolística. Foi, assim, sem surpresa, que Bergkamp abandonou a Inter em 1995. O destino: Londres, para representar o Arsenal.

Príncipe em Londres

Londres tornou-se a segunda casa do atacante holandês. Foram 11 temporadas a serviço dos Gunners, mais de 100 gols e grandes momentos, com um treinador marcante. Arsène Wenger chegou ao clube em 1996 e revolucionou o futebol, não só do Arsenal, como o próprio futebol inglês. Fã do bom futebol e do ataque, o técnico francês viu em Bergkamp a extensão em campo da sua visão de jogo.

Bergkamp conquistou a Premier League por três vezes, sendo considerado o melhor jogador da competição em 1997/98. Fez parte dos Invencibles, a histórica equipe do Arsenal que venceu a Premier League em 2003/04 sem qualquer derrota, feito que nem antes e nem depois, nenhum time conseguiu.

Idolatrado pelos torcedores do Arsenal, a grande amargura da passagem de Bergkamp pelo clube foi a ausência de títulos europeus, que por duas vezes estiveram perto. Em 1999/2000, perdeu a final da então Copa Uefa para o Galatasaray nos pênaltis. Em 2005/06, última temporada da carreira do holandês, foi derrotado na final da Liga dos Campeões pelo Barcelona. Bergkamp foi reserva e não entrou contra os catalães. O último jogo da carreira do holandês foi, curiosamente, no último jogo do mítico Highbury Park, na vitória dos Gunners sobre o Wigan por 4 a 2.

A sua passagem pelo Arsenal ficou ainda marcada pelos grandes gols marcados, com o mais destacado a ser anotado na casa do Newcastle, em 2002, considerado um dos melhores não só da sua carreira, como da própria Premier League.

Símbolo holandês

Bergkamp deixou uma marca eterna também na seleção holandesa. Para além das já referidas presenças na Euro 92 e na Copa de 94, esteve ainda presente em mais duas Eurocopas e em outra Copa, tendo brilhado principalmente em 1998, quando marcou dois gols e fez três assistências. O grande momento na competição aconteceu no confronto com a Argentina, nas quartas de final. No último minuto do jogo, Bergkamp marcou um dos mais extraordinários gols em Copas, levando os torcedores à loucura e o craque às lágrimas.

Abandonou a seleção holandesa após a Euro de 2000, com 31 anos, então como melhor goleador da história da Laranja Mecânica (foi ultrapassado por outros nomes mais tarde).

Depois do fim da carreira como jogador, Bergkamp iniciou a carreira de treinador, como auxiliar, primeiro da Holanda e depois do Ajax. Toda uma carreira dedicada ao futebol, de um jogador com fobia de andar de avião, que o fez faltar a vários jogos nas competições europeias e que o obrigou várias vezes a fazer milhares de quilômetros de carro. Apesar de toda a mágica com que jogou, Bergkamp ficou com o apelido de Non-Flying Dutchman (o holandês que não voa). Só em aviões: no campo, ele voava, sim... 

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