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O genial e inovador Didi

Texto por Carlos Ramos
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Didi foi o exemplo do craque brasileiro, aquele que era diferente do europeu pela malícia, ,pelo gingado, pela capacidade de improvisação. Mas era, também, um atleta perfeccionista, que tentava, tentava e tentava de novo. Que criou o chute da folha-seca, que tinha uma qualidade de passe invejável. E fazia tudo isso com uma elegância e tranquilidade que perturbavam os rivais. Didi era a magia e a arte, e a execução perfeita. Era o "moleque" do improviso e o craque da perfeição. Foi, sem dúvida, um dos grandes jogadores da história do futebol brasileiro, e deve ser lembrado para sempre. 

Nasceu em Campos, cidade do Estado do Rio de Janeiro, em 08 de outubro de 1929. Driblando nas ruas de onde morava, ainda menino, chamava a atenção de quem passava. O drible foi seu primeiro fundamento aperfeiçoado (e nas ruas, como bom craque brasileiro que foi). 

Ainda menino, começou a jogar pelos times da cidade, mas não por muito tempo. Com seu irmão, Dodô, que era ainda mais promessa que Didi, foi ao Madureira, do bicheiro português Aniceto Moscoso. Dodô era a principal aposta, mas quem seguiu no clube foi Didi... 

As boas exibições na Zona Norte levaram Didi a vestir outra camisa tricolor, a do Fluminense, nas Laranjeiras, Zona Sul do Rio de Janeiro. Logo no primeiro jogo, pôde-se contrastar o jogo técnico, elegante e "malandro" de Didi com os "grandalhões" do Arsenal, que estavam em excursão ao Brasil e golearam os cariocas. 

Mas Didi, como sempre fez em toda a carreira, manteve a cabeça tranquila. Afinal, era só um amistoso. E ele tinha plena confiança no futebol que aprendeu nas ruas. 

Apesar de algumas vezes contestado pelos comentaristas da época pela lentidão, Didi foi mostrando que era craque. Jogou na partida inaugural do Maracanã, em 1950, na seleção carioca. Didi inaugurou o estádio com um chute de folha-seca que morreu nas redes de Oswaldo Topete.

Em 1952, depois de ter conquistado o Carioca um ano antes, Didi foi o craque tricolor na conquista da Copa Rio, contra os principais clubes da Europa e da América do Sul na época. 

Zezé Moreira, seu técnico nas Laranjeiras, foi também o primeiro a dar a chance de Didi jogar na seleção brasileira. Com Didi titular, o Brasil acabou campeão do Pan-Americano de 1952. 

Com o irmão de Zezé, Aimoré, Didi foi ao Sul-Americano de 1953, mas sem o mesmo sucesso. E também sem grande campanha no ano seguinte em sua primeira Copa do Mundo, de novo com Zezé, com eliminação para a Hungria. 

A mudança para General Severiano e a consagração

Em 1955, Didi, insatisfeito com o que recebia nas Laranjeiras, se mudou para General Severiano. Em transação milionária para a época, o Botafogo comprou o então titular da seleção brasileira. 

Foi o casamento perfeito, Didi com o Botafogo. A camisa alvinegra vestiu bem em Didi, e os craques que lá já estavam ganharam um gênio para dominar o meio de campo. 

Ao lado de Nilton Santos, Garrincha, Quarentinha, Amarildo, Zagallo, entre outros, Didi fez parte de um dos principais times da história do futebol brasileiro, só comparado depois com o Santos de Pelé. 

Com a Estrela Solitária ao peito, Didi não conquistou tantos títulos, mas esbanjou toda a sua categoria como jogador. Manteve-se em forma para chegar em alta na Copa de 1958.

Na Suécia, viveu talvez o auge. Com passes geniais e chutes indefensáveis, triturou adversários. Carregou o Brasil, junto com um jovem Pelé, um genial Garrincha, um disciplinado Zagallo e um artilheiro Vavá. 

Na semifinal, soltou um de seus chutes típicos e ajudou na goleada sobre a França. Na decisão, foi um rei. Para muitos, acabou como o melhor daquela Copa. 

Quando a Suécia saiu na frente da final, a bola saiu das redes de Gilmar e passou pelas mãos de Belini até chegar em Didi. O craque a colocou debaixo do braço e andou calmamente até o meio do campo. Com essa calma, comandou a virada, a goleada, o primeiro título mundial do Brasil.  

Passagem pela Europa e bicampeonato 

Didi chamou a atenção do mundo com as exibições na Suécia. Tanto que acabou comprado pelo Real Madrid depois do Carioca de 1958. Lá, ia fazer parte de um time imbatível. 

Aquele Real, que contratara Didi, tinha Kopa, Di Stefano, Puskas, Gento... Só que Didi não se acertou com Di Stefano, dentro e fora do campo, e acabou ficando pouco em Madri. 

Voltando ao Brasil, assinou novamente com o Botafogo. E em General Severiano voltou a receber o carinho brasileiro, e o status de "insubstituível", algo que esteve longe de ser na Espanha. 

Campeão carioca em 1961 e do Rio-São-Paulo de 1962, Didi voltou a ser feliz. E sorrindo, chegou em mais uma Copa do Mundo. E dessa vez no Chile, voltou a fazer o mundo sorrir. 

Mais uma vez, o mundo viu o craque genial que era Didi. Talvez menos genial que em 1958, mas ainda assim era Didi. E a Espanha, de Di Stefano e Puskas, ficou pelo caminho. Assim como a Inglaterra, os donos da casa, Chile, e por último a Tchecoslováquia. No mesmo Estádio Nacional de Santiago que iniciou sua trajetória com a seleção, Didi se despediu, e com título, depois de 68 jogos e 20 gols. 

No final de carreira, Didi viveu ainda alguns lampejos no Botafogo, e chegou a jogar no Sporting Cristal, do Peru, e no São Paulo. Quando parou, virou técnico, e levou o Peru, do Sporting, até a Copa de 1970. Mas lá reviu Pelé, e acabou eliminado por uma das melhores versões da história da seleção. 

Didi se afastou do futebol por conta de uma artrose, mas seguiu falando de bola no rádio. Até que, em 12 de maio de 2001, um câncer acabou levando embora uma das grandes figuras do nosso futebol. 

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O primeiro Campeonato do Mundo do Brasil
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