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Brian Clough: o homem que acreditou e fez milagres

Texto por Carlos Ramos
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Há várias frases para definir Brian Clough. Na Inglaterra, dizem que ele foi o melhor treinador que a seleção nunca teve, assim como o melhor atacante que ela pouco usou. Mas não há como definir Clough sem citar que ele foi um homem que acreditou em milagres, e, de fato, os fez. 

Antes de fazer milagres, porém, Clough fez gols. E muitos. Foi um centroavante de números de causar inveja em Cristiano Ronaldo e Messi, com três temporadas de média de um gol por jogo, e outras tantas próximo a isso. 

Clough foi nascido e criado em Middlesbrough, e lá começou a carreira como atacante. Logo na segunda temporada, marcou 40 gols em 44 gols, na seguinte 42 tentos em 42 jogos, na terceira 43 em 43... Desde a década de 1920 o Boro não tinha um goleador com tamanhos números. 

Artilheiro do futebol inglês no período, Clough só não tinha destaque superior porque o Middlesbrough sofria na segunda divisão. Quando se mudou para o Sunderland, também ficou de fora da elite. Por isso, o jogador só teve duas oportunidades de vestir a camisa da seleção inglesa, ambas em 1959. 

Na única vez que Brian Clough jogou a primeira divisão, a decepção. Com apenas três jogos e um gol na elite, o jogador teve de se aposentar por uma grave lesão no joelho. A partir de então, como técnico, teve uma carreira ainda mais proveitosa. 

Revolução começa na quarta divisão

Depois de pendurar as chuteiras, Clough foi convidado por George Hardwick para trabalhar na terceira equipe do Sunderland, seu último clube como jogador. Com apenas 30 anos, assumiu o comando do Hartlepools United, na quarta divisão. 

O clube vivia uma imensa crise, não conseguia sair das últimas posições e parecia tudo o que um principiante não desejava. Mas Clough aceitou o desafio e chamou Peter Taylor para ser seu auxiliar. A dupla começou a fazer história na quarta divisão. 

Clough e Taylor se envolveram com a comunidade local, buscando apoio para o clube, trouxeram os jovens para o time e, com um forte trabalho de observação de futebol na região, conseguiram selecionar nomes promissores, como John McGovern e Les Green. 

Apesar de não conseguir nenhum acesso em quase dois anos de clube, Clough revolucionou o futebol em Hartlepools. O time saiu das últimas colocações e lutou na parte de cima. O trabalho chamou a atenção do Derby County, que levou não só Clough, como também Taylor. 

O primeiro milagre 

Clough seguiu com suas filosofias no Derby e, com o olhar atento de Taylor, garimpou grandes talentos para o clube, como Roy McFartland, John O' Hare e Alan Hinton. Depois de uma primeira temporada de luta contra o rebaixamento, o treinador fez uma revolução no elenco para conseguir alcançar a primeira divisão. 

Logo no primeiro ano de elite, o Derby conseguiu um histórico quarto lugar, melhor colocação do clube em décadas. O time foi além em 1972 e, com contratações pontuais, alcançou o primeiro título inglês da história do clube. Foi o primeiro milagre vitorioso de Clough. 

Na temporada seguinte, o time não manteve o mesmo desempenho no Campeonato Inglês, mas chegou perto de fazer história na Copa dos Campeões. Só foi eliminado nas semifinais para a Juventus, de Dino Zoff, Altafini e Capello. 

Com o sucesso, o lado narcisista de Clough começou a aparecer. O treinador chegou a se recusar a ir em uma excursão pela diretoria do Derby não o deixar levar a família junto. O treinador chegou a chamar os torcedores do clube de "uma desgraça". A relação acabou rompida em outubro de 1973. 

Os maiores milagres 

Depois de passagens curtas e pouco marcantes por Brighton & Hove e Leeds United, com muitas derrotas humilhantes, Clough voltou a assumir um underdog, como chamam na Inglaterra, ou azarão, como estamos acostumados no Brasil: o Nottingham Forest. 

O Forest estava em 13º na segunda divisão em 06 de janeiro de 1975, quando Clough assumiu. Tanto clube quanto treinador estavam em baixa. A sequência da temporada foi igualmente decepcionante, com apenas quatro vitórias em 22 jogos e o 16º lugar. 

Mas houve, então, outra revolução. Do tipo Derby County no início da década de 1970. Tudo começou com o retorno de Taylor, que havia deixado de trabalhar com Clough. Com o olhar de seu principal escudeiro para as contratações, Clough voltou a ter sucesso. 

Clough e Taylor fizeram no Nottingham o que já haviam feito no Derby: colocaram o clube na elite inglesa. Com a aquisição do goleiro Peter Shilton, o time emendou uma sequência de vitórias e surpreendeu a todos em seu primeiro ano na elite. Mesmo na liderança no meio do campeonato, ninguém acreditava no título. Mas as vitórias seguiram, e a conquista do Inglês foi confirmada com sete pontos de vantagem para o Liverpool, vice-campeão. 

Dessa vez, o sucesso de Clough e Taylor durou mais e rompeu as barreiras da Inglaterra. O azarão apareceu também na Liga dos Campeões, deixando o Liverpool pelo caminho ainda na primeira fase e, depois, seguindo campanha imaculada até o título inesperado. 

Supercampeão da Europa contra o Barcelona, o Nottingham, de Clough, foi bicampeão da Copa dos Campeões na temporada seguinte, vencendo o Hamburgo na final. O time só não conseguiu o título do Intercontinental, perdendo para o Nacional, do Uruguai. 

Clough ainda foi campeão quatro vezes da Copa da Liga e de uma Supercopa com o Nottingham. Dirigiu o clube até o início da década de 1990, somando quase mil jogos no comando do clube. Foi duas vezes entrevistado para ser o técnico da seleção inglesa, mas nunca foi chamado pela federação. Terminou a carreira como o "técnico das causas impossíveis", conseguindo milagres inesquecíveis para além dos limites da Inglaterra. 

Fotografias(2)

Brian Clough and Peter Taylor
Brian Clough, Nottingham Forest
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