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        Histórias do Futebol
        Histórias do Futebol

        Adriano, o Imperador que preferiu ficar com seu povo

        Texto por Carlos Ramos
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        Já virou clichê a história do menino que, descoberto na favela, se tornou um grande craque no futebol mundial e ajudou sua família a sair da favela. O futebol descalço virou o futebol com chuteiras que custam muito dinheiro, representando marcas que ditam moda. Os carros na garagem valem mais que casas na comunidade. Mas há um nome que fez o caminho inverso: Adriano, o Imperador. 

        Para muitos, apenas Didico. Adriano nunca, de fato, deixou a favela. Mesmo quando se tornou um craque de seleção brasileira, craque de Copa do Mundo, ídolo de nomes como Zlatan Ibrahimovic, digno do apelido de Imperador. 

        Adriano é nascido e criado na Vila Cruzeiro, uma das favelas mais perigosas do Rio de Janeiro. Lá fez amigos e, descalço, deu os primeiros chutes na bola. Chutes que já impressionavam. 

        Adriano começou a jogar futebol no Flamengo, e como lateral esquerdo. Carlinhos, então treinador da base rubro-negra, evitou a dispensa de Adriano o adiantando para o ataque, o que acabou dando muito certo. 

        Parte do time campeão mundial S17 com a seleção brasileira em 1999, Adriano estreou no profissional do Flamengo em 2000. No ano seguinte, o atacante já foi negociado com a Internazionale de Milão, onde ganharia o apelido de Imperador. 

        Antes de ser Imperador, Adriano ainda teve de conquistar espaço no futebol italiano pelo Parma (e também na Fiorentina). O fez com gols, voltou para Milão e se tornou uma máquina de fazer gols. Na temporada 2004/05, Adriano fez 32 gols em 44 jogos. Já era o imperador. 

        O Imperador

        Seus lances impressionavam. Ganhava dos adversários com força e técnica. Tinha um chute potente de perna canhota que poderia matar um goleiro caso ele ficasse pelo caminho. O atacante começou a ser chamado para a seleção brasileira em 2003. Em 2004, com um desses foguetes de canhota, conquistou uma Copa América para a seleção contra a Argentina. Em 2005, venceu os Hermanos em ritmo de samba na Copa das Confederações. 

        Apesar de estar no ápice da carreira, Adriano sentia um vazio enorme. Em 2004, seu pai, Almir, faleceu e Adriano começou a sofrer com o alcoolismo. "Depois da sua morte tudo ficou pior, porque senti que estava totalmente isolado. Estava sozinho na Itália, triste, deprimido, e comecei a beber. Só estava feliz quando bebia e fazia isso todas as noites. Bebia tudo aquilo que colocava nas mãos: Vinho, uísque, vodka, cerveja", contou, em uma entrevista ao jornal português A Bola

        Javier Zanetti, lateral argentino da Inter que estava com Adriano quando o atacante recebeu a notícia da morte do pai, conta que o jogador "nunca mais foi o mesmo". "Quando ele recebeu o telefonema sobre a morte do pai, nós estávamos no quarto. Ele agarrou no telefone e começou a gritar de uma forma que ninguém pode imaginar, eu ainda estremeço. Desde aquele dia, Massimo Moratti (presidente da Inter) e eu começamos a tratá-lo como um irmão mais novo. Ele continuou a jogar, a marcar golos e a dedicá-los ao pai, apontando para o céu, mas depois daquele telefonema, nada mais foi como antes". 

        2006 foi o último ano de alto nível de Adriano na Europa, com 20 gols. Depois da Copa, que acabou sendo uma decepção para o Brasil, com eliminação para a França nas quartas, Adriano voltou para Milão decidido a deixar o clube. Precisava ficar mais perto da família. 

        Retorno para casa

        O jogador era visto sempre na Vila Cruzeiro. Chegou abandonar o clube italiano para ficar com os amigos na favela. "Ando descalço, sem camisa, jogo bola, faço churrasco. Isso não tem preço". Para ficar mais próximo da Vila Cruzeiro, dos amigos e da família, o jogador foi emprestado para o São Paulo em 2008. 

        Reencontrou, no Morumbi, o bom futebol, com 17 gols em 28 partidas. Teve de voltar para a Itália, mas logo sentiu falta de casa e voltou, enfim, ao Flamengo. Foi o grande nome do título brasileiro do clube em 2009, sendo artilheiro do campeonato. 

        Ainda teve um retorno frustrado para a Itália, com oito partidas sem marcar na Roma, e um título brasileiro sem protagonismo no Corinthians até encerrar a carreira depois de pouco tempo no Athletico Parananese e no Miami United, o último dos Estados Unidos. 

        Miami, que nada. Adriano largou o futebol para voltar para a Vila Cruzeiro. Apesar de ter sido envolvido em algumas polêmicas ao longo dos anos, incluindo fotos com armas e suposta ligação com traficantes (alguns eram, e são, seus amigos de infância), Adriano está onde se sente em casa. O craque deixou os milhões de lado e foi viver onde é feliz, anda descalço, faz churrasco e vive com seu povo. 

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        Adriano (BRA)
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