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        Matt Busby, o Mr. Manchester United

        Texto por Ryann Gomes
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        O significado de Sir Matt Busby para os Red Devils vai muito além do apelido de “Mr. Manchester United”. Se o clube é hoje um dos maiores do planeta, deve-se muito à genialidade e o pioneirismo de seu grande mentor.

        Apenas como técnico, Matt Busby passou quase 25 anos em Old Trafford. A fama conquistada na beira dos campos fez até com que virasse letra de música dos Beatles, fosse condecorado pela corte britânica, ganhasse estátua e até nome de rua...

        Assim que nasceu Alexander Mattew Busby, em 1909, sua mãe, Nellie, disse que havia chegado um jogador de futebol. A intuição materna provaria, anos depois, que não estava errada. O garoto cresceu na pequena vila escocesa de Orbiston, em Bellshill.

        Em sua carreira como jogador, Busby passou pelo Manchester City e pelo Liverpool. Nos Citizens, seus maiores feitos foram um vice e um título na famigerada FA Cup. Já pelos Reds, o meio-campista, de grande visão de jogo, colocou, mesmo sem grandes títulos, seu nome dentro do clube, somando 115 partidas disputadas. 

        O início de um legado

        O advento da Segunda Guerra Mundial, no entanto, obrigou Matt Busby a dar um tempo no futebol e a servir o Reino Unido no Regimento do Rei de Liverpool. Ainda durante o conflito, o agora ex-jogador teve as suas primeiras experiências como técnico. O escocês chegou a comandar equipes de futebol do exército, até ser convidado a assumir um cargo de assistente no Liverpool. Divergências sobre métodos de trabalho, porém, impediram a passagem de Busby pelo banco dos Reds.

        Não demorou para encontrasse um novo emprego. Após vários anos de um futebol de baixa qualidade e com dois títulos conquistados no início do século, o Manchester United planejava reconstituir sua estrutura no pós-guerra. Durante os combates, Busby recebeu uma carta de Louis Rocca, dirigente dos Red Devils com quem já tinha vínculo de amizade. Na correspondência, Rocca falava sobre um “trabalho” no United.

        A assinatura do contrato aconteceu em fevereiro de 1945. Matt Busby foi direto em relação ao que planejava para o clube. O técnico queria ter presença efetiva em treinos e jogos, além de participar ativamente das contratações da equipe. O que hoje é comum para qualquer manager” no planeta. Na época, entretanto, estas ações extrapolavam as funções de um técnico. Era o início da revolução.

        Com grande poder de convencimento, Matt fez o United estender,, logo de início, o vínculo contratual de três para cinco anos, tempo que, segundo suas convicções, seria necessário para colher os primeiros resultados de suas inovações. 

        O primeiro grande ciclo

        Quando assumiu o comando do United, o escocês não podia nem mesmo mandar os jogos em seu próprio estádio. O Old Trafford havia sido bombardeado durante os enfrentamentos na segunda guerra e, por quase quatro anos, os Red Devils tiveram que jogar em Maine Road, casa do maior rival Manchester City.

        Mesmo com as dificuldades, os resultados começaram a aparecer já na primeira temporada, quando a equipe acabou na segunda posição do Campeonato Inglês. Na equipe, Busby contava com a presença de jogadores que estavam no clube desde o pré-guerra, como Jack Rowley, Stan Pearson e Johnny Carey, além de contratações pontuais, como a de John Aston.

        Com o mesmo elenco, Busby levantou seu primeiro troféu em sua segunda temporada, quebrando um jejum de 37 anos sem títulos dos Diabos. Após mais um vice-campeonato na liga inglesa, o United faturou a FA Cup de 1948. Também naquela temporada, comandando a seleção da Grã-Bretanha, Matt levou o país à quarta colocação na disputa do futebol nos Jogos Olímpicos de Londres.

        A boa sequência no Campeonato Inglês, por fim, foi coroada com o título na temporada de 1951-52, depois de quatro vice-campeonatos e de uma quarta colocação. O United manteve quatro pontos de vantagem sobre Tottenham e Arsenal para chegar ao seu terceiro título nacional, após 41 anos.

        As marcas de uma tragédia

        Em 1958, Matt Busby viveu o episódio que marcaria sua carreira e a história do futebol. Após empatar com o Estrela Vermelha em Belgrado e assegurar a classificação para as semifinais da Liga dos Campeões, a delegação do United sofreu um grave acidente aéreo em Munique.

        O avião em que estavam jogadores e comissão técnica levantou vôo, mas caiu pouco tempo depois. Dos 44 passageiros, 21 morreram na hora, sendo sete jogadores. Duncan Edwards, o mais promissor daquela geração, faleceu depois de 15 dias no hospital. Johnny Berry e Jackie Blanchflower, com graves ferimentos, nunca mais poderiam jogar.

        Matt Busby não saiu ileso. O escocês também ficou ferido gravemente no acidente. Dentro do hospital, encarou de perto o leito de morte, por duas vez, mas escapou. O acidente prejudicou até mesmo a sua carreira na seleção escocesa, já que era Busby quem deveria comandar a equipe nacional na Copa do Mundo de 1958, disputada quando ainda estava internado.

        Sem se recuperar completamente da tragédia, Matt chegou a cogitar a saída do Manchester United, porém voltou a treinar o time 71 dias depois da fatalidade. Na ausência de Busby e sob o comando de Jimmy Murphy, o clube chegou ao vice-campeonato da FA Cup e acabou eliminado nas semifinais da competição continental. 

        Renascimento para a eternidade

         

        Com a perda de quase metade do elenco por conta do desastre aéreo, o United de Matt Busby levou um tempo para se reestruturar. Ao todo, foram quatro temporadas de dificuldades, incluindo campanhas ruins no Campeonato Inglês, até a volta do Manchester United ao primeiro lugar.

        Alguns sobreviventes do desastre de Munique, como Bobby Charlton e Bill Foulkes, acabaram servindo de base para a nova equipe montada pelo escocês. Além disso, o técnico passou a investir em jovens talentos, mostrando mais uma vez sua visão diferenciada para encontrar boas promessas. Nesta leva, jogadores como Denis Law e George Best chegaram ao clube. Nomes que, sob o comando do treinador, acabariam entrando para a história do United.

        O fim da seca de títulos aconteceu mais uma vez na FA Cup, em 1963. Já no Campeonato Inglês, a conquista veio em 1965, quando o clube obteve vantagem sobre o Leeds apenas nos critérios de desempate. Classificado para a Copa dos Campeões, o time vermelho mais uma vez bateu na trave e caiu nas semifinais, desta vez eliminado para o Partizan.

        A primeira e tão esperada glória continental do Manchester United, contudo, começaria a se desenhar já na temporada seguinte. A campanha vitoriosa começou com êxitos sobre Hibernians, Sarajevo e Górnik Zabrze. Nas semifinais, o encontro foi com o Real Madrid, algoz em 1958. Com uma vitória por 1 a 0 em casa e um emocionante empate por 3 a 3 fora, depois de estarem perdendo por 3 a 1, os Red Devils garantiram passagem para a decisão diante do Benfica de Eusébio.

        Em Wembley, depois do empate por 1 a 1 no tempo normal, a façanha a história foi escrita em grande estiolo na prorrogação, quando George Best, Brian Kidd e Bobby Charlton deixaram suas marcas e os ingleses acabaram a noite com uma goleada por 4 a 1. Dez anos depois do acidente aéreo em Munique, Matt Busby finalmente chegou ao topo da Europa.

        Referência de um ídolo máximo

        Dias depois da conquista do maior título do continente, o escocês foi nomeado cavaleiro do Império Britânico, ganhando a alcunha de Sir. O agora Sir Matt Busby encerrou seu ciclo como treinador uma temporada após chegar ao topo. Matt assumiu um cargo como diretor do clube, até que, no início dos anos 80, se tornou presidente do Manchester United.

        Ao término de sua carreira no futebol, o Mr. Manchester United, como ficou conhecido, recebeu diversas homenagens do clube. Em 1993, a rodovia que passa a frente do estádio do clube foi rebatizada como “Sir Matt Busby Way”. Já em 1996, dois anos após a sua morte, o ex-técnico ganhou uma estátua em frente ao Teatro dos Sonhos.

        Sir Matt Busby faleceu em 1994, em decorrência de uma leucemia. Pôde presenciar apenas o primeiro título da Premier League de Alex Ferguson, seu compatriota, herdeiro de seu legado e único técnico a ter ficado mais tempo que ele no cargo.

        Em 1999, o Manchester United conquistou a segunda Liga dos Campeões do clube, virando nos acréscimos um placar que parecia perdido. Um milagre ocorrido justamente no dia 26 de maio, data em que Busby completaria 90 anos. Uma data eternizada na memória de todos os amantes do futebol, principalmente para os torcedores do United, clube que Matt tirou do marasmo e transformou em gigante.

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        Fotografias(2)

        Equipa do Manchester United junta antes do voo para Munique em 1958
        Sir Matt Busby (SCO)
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