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          Alex, o craque que a Copa do Mundo perdeu

          Texto por Paulo Mangerotti
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          Muitos jogadores levam a vida em um clube para alcançar o status de ídolo. Muitos também passam por clubes grandes, com atuações importantes: marcam gols, ganham títulos, mas ainda assim não alcançam a idolatria. Alex conseguiu um feito para poucos. É muito ídolo. Do Coritiba, do Palmeiras, do Cruzeiro e do Fenerbahçe. E poderia (para muitos deveria) ter sido também da seleção brasileira.

          Alexsandro de Souza nasceu em Curitiba, em 14 de setembro de 1977. E sua trajetória no futebol teve início parecido com a de muitos outros craques: foi no futsal, ou futebol de salão - para os mais velhos. Aos nove anos, Alex já se destacava pela Associação Atlética do Banco do Brasil (AABB), o que o levou alguns anos depois para o Coritiba, clube do coração e primeira paixão correspondida...

          Pelo Coxa, Alex estreou aos 17 anos. A pouca idade não foi empecilho para ele logo se firmar no time paranaense, sendo de cara um dos destaques do clube no estadual e na Série B de 1995 - ano em que o conseguiu o acesso para a Série A.

          A primeira passagem no Coritiba durou dois anos e meio, sem títulos. Aos 19, a transferência para o Palmeiras parecia deixar um sentimento misto, uma lacuna, tanto para Alex, quanto para o clube e para a torcida.

          Prazer, Alex

          Ao chegar ao Palmeiras, em abril 1997, ele poderia parecer apenas mais um. Não pelo talento e capacidade que já havia provado desde cedo no Coxa, mas por ser um jovem contratado para um time estrelado, com expectativas enormes. Lá já estavam os mais experientes Djalminha, Rincón, Euller, Viola e Cafu, além de outros que também viriam a ser importantes, como Zinho e Luizão.

          Desde a estreia, saindo do banco de reservas, até a conquista da conquista da titularidade incontestável não demorou muito tempo. Parecia o aquecimento para os primeiros grandes títulos da carreira.

          Em 1998, Alex foi o camisa 10 das conquistas da Copa do Brasil e da Copa Mercosul, ambas contra o Cruzeiro - e quem diria que o destino ainda o uniria à Raposa? Esse não seria o auge da carreira do jogador, e talvez nem tenha existido um.

          É que, em 1999, Alex guiaria o Palmeiras para a conquista da primeira Copa Libertadores da história do clube. Ele brilhou. Mesmo quando tudo parecia mais difícil depois de uma derrota para o River Plate nas semifinais, na Argentina. Foi Alex quem puxou a virada no Palestra Itália, com dois gols. Assim, aos 21 anos, ele já se acostumava a ser campeão, mas não provavelmente não esperava um baque na carreira.

          Tempos difíceis

          Parece impossível entender como depois de três anos fantásticos pelo Palmeiras, as coisas poderiam mudar repentinamente. Em 2000, tudo parecia seguir à risca o roteiro dos anos anteriores. Começou com a conquista do Torneio Rio-São Paulo, com direito a atuação de gala de Alex contra o maior rival: três gols contra o Corinthians, no primeiro jogo do ano.

          A exigência no clube, porém, parecia subir. Depois de algumas atuações não compatíveis com o que todos estavam habituados, ele acabou apelidado de Alexotan - o que o comparava pejorativamente com um remédio para dormir. O craque do time parecia o bode expiatório perfeito para uma eliminação contra o Boca Juniors, na Libertadores. 

          “No início me machucava porque eu não tinha a noção exata do que estavam falando", declarou Alex, anos depois da fase polêmica.

          Foi o momento de tomar para novos ares. Alex teve uma rápida passagem pelo Flamengo, mas logo voltaria para o Palmeiras, duas vezes, entre empréstimos para o Cruzeiro e a Parma, da Itália. Nesse meio tempo, o craque também teve a oportunidade de brilhar. Ainda que criticado no Verdão, ele marcou um dos gols mais inesquecíveis da década de 1990, talvez o mais bonito da carreira - um chapéu icônico sobre Rogério Ceni, que até hoje arranca suspiros, e nem precisa ser palmeirense para isso.

          Seleção Brasileira

          Mesmo durante os tempos difíceis, Alex contava com prestígio na seleção brasileira, onde já havia conquistado uma Copa América sob comando de Vanderlei Luxemburgo, técnico que reencontraria em um ano mágico no Cruzeiro.

          As chances do jogador com a amarelinha pareciam aumentar, com a chegada de Luiz Felipe Scolari. Afinal, o período vitorioso no Palmeiras aconteceu com eles juntos. Felipão, inclusive, seria o responsável por levá-lo para a Raposa, antes de assumir a seleção.

          Mas talvez aí esteja a maior mágoa da carreira de Alex. Não somente pelo jogador, mas também pelo torcedor. Sim, o Brasil saiu campeão da Copa de 2002, mas aposto que se perguntasse para alguém quem faltou naquele time, a resposta só poderia ser duas: Romário ou Alex.

          "Eu joguei a maioria dos jogos, era um treinador que me conhecia, que em várias conversas deixou sempre a entender que eu participaria", disse Alex, em uma entrevista para o UOL.

          Mesmo sem a Copa do Mundo no currículo, Alex voltaria a defender a seleção em jogos entre 2003 e 2005, inclusive como titular na conquista da Copa América de 2004.

          O craque da Tríplice Coroa

          A passagem de Alex no Cruzeiro aconteceria de 2001 a 2004. Em 2003, um ano depois da Copa, se alguém ainda tinha dúvidas da capacidade do camisa 10, com os resquícios das críticas no Palmeiras, ele tratou de exorcizá-las para longe. Foi uma temporada perfeita, difícil de enumerar em solo brasileiro quantos fizeram o que ele fez.

          Pelo clube celeste, foram 123 jogos e 63 gols, metade desses números apenas naquele ano. 2003 começou com o título do Campeonato Mineiro, com larga vantagem sobre o rival Atlético. Depois veio a Copa do Brasil, em que Alex seria mais uma vez o maestro, com direito a gol na final contra o Flamengo. A cereja do bolo ficou para o então primeiro título Brasileiro do Cruzeiro - à época ainda não existia a unificação dos títulos pela CBF.

          O Cruzeiro triturava adversários, alcançou 100 pontos no campeonato, fez mais de 100 gols e Alex sempre estava lá, genial. Decidiu jogos, fez hat-trick, fez cinco gols em um único jogo. Fez chover. Entrou na seleção do Brasileiro. Foi o craque do Brasileiro.

          Na Raposa, se tornou o Talento Azul. Se tornou ídolo da primeira prateleira.

          Divindade turca

          Depois de tanto sucesso no Cruzeiro, Alex rumaria para novos desafios. Ele já havia conquistado tudo que podia não só no Brasil, mas na América do Sul. Na Turquia, foram quase nove anos.

          Com a camisa do Fenerbahçe, Alex fez 346 jogos e marcou 171 gols. Média invejável para qualquer artilheiro, mas ele era mais do que isso. Era também isso. Foi o cérebro de uma das eras mais vitoriosas do clube. Tricampeão turco, bicampeão da Taça da Turquia e da Supertaça da Turquia. Colecionou prêmios individuais. 

          Só que esses títulos representavam mais do que números, mostravam uma nova perspectiva ao clube, que também contou com craques como Roberto Carlos, Anelka e Lugano no mesmo período. Alex, entretanto, foi único. Tanto que foi imortalizado em uma estátua em bronze em tamanho real pelo clube.

          As imagens da emocionante despedida do Fener em 2012 talvez mostrem que ele não foi apenas como maior ídolo estrangeiro da história do clube. Foi simplesmente o maior.

          A volta do Menino de ouro 

          Parece curioso e inexplicável, para alguns, a idolatria de sempre de Alex no Coritiba. Afinal, por que um jogador que se transferiu aos 19 anos para outro clube - e sequer em suas duas temporadas e meia conquistou qualquer título - deveria ser um ídolo? Até faria sentido, se Alex não fosse extraordinário.

          É claro que hoje fica mais fácil de fazer essa relação, já que 16 anos depois de sair do Coxa (e passar quase nove longe do Brasil), muitos esperavam o retorno de Alex. Ele vai para o Cruzeiro? Ou será para o Palmeiras? Nada disso. Voltou para casa, para o clube de coração. E conquistou o título que não havia vencido.

          Alex foi tanto, para tantos, que parece impossível não admirá-lo. É até engraçado, como ele consegue ser alvo de uma 'disputa de idolatria'. Alex foi um dos meias com mais gols na história do futebol. Um dos grandes gênios desse esporte. É impossível não reconhecê-lo como um craque que a Copa do Mundo perdeu.

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          Alex (BRA)
          Alex (BRA)
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