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          Juan Román Riquelme: o verdadeiro camisa 10

          Texto por Ryann Gomes
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          Puro talento, controle de bola fora do comum e uma visão de jogo extraordinária. Dono das principais características de um verdadeiro camisa 10, Juan Román Riquelme é considerado um dos mais talentosos meio-campistas que a Argentina já produziu.

          Nascido no dia 24 de Junho de 1978, em San Fernando, na grande Buenos Aires, Román, como gostava de ser chamado, sempre chamou a atenção por sua vocação ao futebol. Nos torneios locais, quando criança, sempre era o mais requisitado pelos colegas nos times e capaz de marcar gols incríveis, além de deixar os companheiros na cara do gol.

          Aos sete anos, Riquelme foi levado ao Platense, mas, por ser 'magro demais', acabou dispensado. Nada que freasse o sonho do menino franzino. Após completar o ensino primário, Román decidiu ser jogador profissional de futebol. E, aos dez anos, começou nos juvenis do Argentinos Juniors, que não hesitou em contratar o jogador.

          De La Paternal a Bombonera

          Apesar de todo talento, o menino Riquelme não conseguiu ter protagonismo nas categorias de base do Argentino Juniors. Mesmo com boas atuações ano após ano, o camisa 10 não se firmou e foi preciso a intervenção de Carlos Bilardo, ex-jogador e então técnico do Boca Juniors, em meados de 1996, para as coisas começarem a acontecer.

          O treinador xeneize, ao ver Riquelme, não hesitou em pedir o jogador ao presidente do Boca na época, Mauricio Macri. O mandatário do Boca atendeu aos pedidos do “Doutor” e contratou Román e outros três jogadores por 3,3 milhões de dólares.

          Na mesma temporada, já com 18 anos, Riquelme foi chamado para atuar entre os profissionais. O craque faria sua estreia no Boca em um jogo contra a Unión Santa Fe, em La Bombonera, no dia 10 de novembro de 1996. Logo de cara, Román distribuiu assistência, criou grandes jogadas e foi importante na vitória por 2 a 0.

          No ano seguinte, o jovem já era figurinha carimbada nas seleções juvenis da Argentina e venceu o Sul-Americano e a Copa do Mundo S20 da Fifa. Naquela equipe comandada por José Pékerman, Riquelme era uma das estrelas de um grande time com Samuel, Cambiasso e Aimar.

          O craque marcou dois gols no Sul-Americano e quatro no Mundial, teve atuações de gala e foi eleito um dos melhores atletas de ambos os torneios. Em 1999, faturou o Torneio de Toulon, na França, e foi eleito o melhor jogador da tradicional competição amistosa realizada na cidade francesa.

          Enfim, a glória

          Os primeiros anos de Riquelme no Boca Juniors não foram fáceis. Mesmo com toda categoria e exibições de gala, o menino Román demorou a jogar como gosta nos Xeneize, motivo? o dono do meio campo era Maradona. Além do gênio, Palermo, Latorre e Guillermo Schelotto também fazia parte do grupo de "fenômenos" do Boca.

          Com a aposentadoria de Maradona, Riquelme começou a jogar mais no time titular, mas nada de títulos. Foi então que chegou o ano de 1998. E, com ele, um treinador que mudaria para sempre a história do Boca e do próprio Riquelme: Carlos Bianchi. Com calma e muita inteligência, Bianchi montou um time que teria no toque de bola sua principal arma. E não havia no país ninguém melhor no quesito do que Román.

          Logo de cara, o Boca conquistou o Apertura de 1998 de maneira invicta, com 13 vitórias e seis empates, em 19 jogos, com 45 gols marcados e apenas 18 sofridos. A seca de seis anos sem taças terminou com Riquelme na criação e Schelotto ao lado de Palermo no ataque. O tridente letal fez o Boca colecionar vitórias e fez de Palermo o artilheiro com incríveis 20 gols em 19 jogos, recorde na era dos torneios curtos.

          No ano seguinte, Riquelme comandou o Boca para o bicampeonato argentino, mas faltava o principal: a Copa Libertadores. Como nos romances, Román casou com os xeneize na busca pelo topo da América, fato que não acontecia desde a década de 70.

          Com tamanha naturalidade, o Boca foi triturando seus adversários, incluindo o principal rival. O River tentou complicar com uma vitória no Monumental de Nuñez, mas na Bombonera a estrela de Román ofuscou as pretensões millonarias. Com gol e assistência, além de uma exibição de gala, o meia embalou os argentinos até a grande decisão, que fora vencida contra o Palmeiras, nos pênaltis, no Morumbi.

          Para quem tinha dúvidas, Riquelme desfilou seu talento em âmbito mundial. Na final do Mundial de Clubes, diante do poderoso e badalado Real Madrid, o camisa 10 foi novamente maestro e levou o time argentino à conquista do torneio, após vitória por 2 a 1 sobre os Merengues.

          A vitória trouxe a glória, mas, por querer maior valorização após as conquistas, o craque não foi atendido e passou a causar conflitos do meia com o presidente do clube. Seria o início do fim de sua primeira passagem pelo Boca, mas não antes do bicampeonato da Libertadores, diante do Cruz Azul, do México. Vale destacar uma menção honrosa à atuação de Riquelme na semifinal contra o Palmeiras, no Parque Antárctica. O meia só faltou fazer chover e foi protagonista em uma de suas maiores exibições da carreira. 

          Salto para a Espanha e o brilho no Mundial

          Após a conquista do bicampeonato da Libertadores, Juan Román Riquelme passou a acumular problemas em Buenos Aires, dentro e fora de campo. Os resultados pararam de aparecer e, depois de um episódio triste envolvendo o sequestro de sua irmão, foi consensual que a passagem do camisa 10 pelo time xeneize havia chegado ao fim.

          A solução encontrada pela diretoria do Boca foi negociá-lo. Com seu talento nato, o principal comprador foi o Barcelona, que levou Román para a Catalunha por cerca de 13 milhões de dólares. Lá, o meia seria o camisa 10 do técnico holandês Louis van Gaal. No entanto, o que era para ser um casamento perfeito, acabou em uma relação, no mínimo, litigiosa.

          O talento de Riquelme com a bola nos pés foi deixado de lado devido a sua dificuldade em cumprir um papel tático pela ponta esquerda: Não era mesmo a sua. Depois de uma temporada de pouco brilho na Catalunha, o meia acabou emprestado para o Villareal. 

          Pelo Submarino Amarelo fez grandes partidas, com muitos gols e assistências e, na companhia de outros jogadores sul-americanos como o argentino Sorín, o uruguaio Diego Forlán e o brasileiro naturalizado espanhol Marcos Senna, marcou época e ajudou a levar o clube ao inédito terceiro lugar no Campeonato Espanhol na temporada 2004/05, o que rendeu ao Villareal uma vaga inédita na Liga dos Campeões.

          Na competição europeia em 2006, Riquelme foi novamente o grande destaque da equipe que alcançou a semifinal da competição em sua primeira participação na história, tendo eliminado gigantes do velho continente como Manchester United e Internazionale. Porém, após perder um pênalti no confronto que eliminou o Villareal da competição, na semifinal conta o Arsenal, Riquelme nunca mais teve o mesmo sucesso pela equipe espanhola. 

          Apesar do declínio em terras espanholas, Riquelme viveu, nesta época, seu período mais imponente na seleção argentina. Com muitos gols, assistências e atuações decisivas, o até então camisa 8 comandou o selecionado albiceleste para a Copa do Mundo de 2006, na Alemanha. Durante as Eliminatórias, Román teve uma atuação memorável contra o Brasil, onde marcou um golaço e embalou os argentinos na caminhada para o Mundial.

          Durante a Copa, Riquelme seguiu imponente. Presente no considerado "Grupo da Morte", o camisa 10 não sentiu o peso da responsabilidade e foi peça chave na vitória sobre Costa do Marfim e na goleada sobre a Sérvia. O selecionado comandado por Pékerman seguiu firme até as quartas de final, quando acabou eliminado, nos pênaltis, pelos anfitriões.

          Riquelme disputou 51 jogos e marcou 17 gols com a camisa da Argentina. No geral, seu rendimento pela equipe só foi satisfatório sob o comando de Pékerman, Basile e Batista, treinadores que souberam como usar o talento de Román em campo.

          A volta triunfal para casa

          Na volta do Mundial, Riquelme acabou entrando de vez em rota de colisão com dirigentes e comissão técnica no Villareal. Era a hora de voltar para casa. No meio de tanto indecisão, eis que surge uma luz para o craque. No início de 2007, o Boca Juniors topou repatriar o meia por empréstimo com o intuito de disputar a Copa Libertadores daquele ano e vencê-la, para delírio do torcedor xeneize.

          Naquele mesmo ano, como sempre predestinado, Riquelme cumpriu seu papel, capitaneando o Boca em mais uma conquista da América. E em grande estilo. Na grande final contra o Grêmio, Román ignorou a lógica e foi mágico outra vez.

          Com gols, assistências e passes precisos, o Mago conduziu seu time para o Hexacampeonato com um expressivo 5 a 0 no agregado. Tamanha foi a genialidade do camisa 10 no torneio, que, com todos os méritos, foi o artilheiro e melhor jogador da Libertadores na ocasião.

          Contratado em definitivo pelo Boca, Riquelme ainda manteve o nível de atuações em 2008, onde conquistou a Recopa Sul-Americana e mais um Campeonato Argentino. Com o passar do tempo, porém, o camisa 10 passou a atuar mais recuado e o brilho de outrora foi se ofuscando como num processo natural. 

          Mesmo aos trancos e barrancos, Román ainda disputou mais uma final de Libertadores, em 2012. Desta vez, porém, ao contrário do que aconteceu nas outras duas oportunidades, o Boca foi desbancado pelo Corinthians. A derrota deu início a um período ainda mais sabático de Riquelme em terras xeneize. 

          O processo de distanciamento, após desentendimentos com dirigentes e figuras importantes na politica do clube, Riquelme optou por não renovar com o Boca ao fim de 2013 e partiu para sua última empreitada: levar o time que o revelou de volta à elite do futebol argentino.

          E como tudo na sua carreira, assim o fez. Em julho de 2014, Riquelme acertou sua ida ao Argentinos Juniors com o objetivo de levar o clube à primeira divisão. E, com 15 partidas e três gols, Román ajudou seu clube de juventude a subir para a primeira divisão. Na comemoração do acesso, o craque mostrou a serenidade de um atleta realizado, que encantou o mundo com a arte de jogar futebol.

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          Juan Román Riquelme (ARG)
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