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        Histórias do Futebol
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        Adhemar, o Canhão do Azulão

        Texto por Carlos Ramos
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        Da várzea para o mundo. Adhemar Ferreira de Camargo Neto, o atacante de 1,69, rompeu barreiras sociais, preconceitos futebolísticos e aproveitou o inferno para criar seu próprio céu. 

        Na pirâmide do futebol brasileiro, Adhemar começou bem na base. Ou nem na base podemos dizer que começou, na verdade, como contou o jogador em entrevista para oGol

        "Comecei na várzea. Não cheguei ao profissional por categoria de base nenhuma. Fui fazer teste em vários clubes e fui reprovado, por causa da altura. Ninguém queria um atacante com 1,69", recordou. 

        Adhemar seguiu na várzea até que teve a oportunidade no profissional. Começou no Estrela, de Porto Feliz, e rodou o interior de São Paulo até chegar no São Caetano. 

        Idolatria no Azulão

        No Azulão, Adhemar fez história. Se tornou "O Canhão do Azulão". Tinha uma pancada violenta em seus pés. Um chute em especial mudou a carreira do jogador, já no ano 2000. 

        "Aquele gol no Maracanã mudou, completamente, a minha história. Não só a minha, como a do São Caetano. Até ali, nós éramos uma zebra, que estava chegando no mata-mata, contra um time grande, o Fluminense. E de repente você acerta um chutinho daquele lá no estádio que é e a gente consegue eliminar um clube grande", recordou. 

        O tal gol contra o Fluminense aconteceu no dia 26 de novembro de 2000.  Foi o tento que levou o São Caetano até as quartas finais da Copa João Havelange. 

        Em seguida, Adhemar também marcou gols decisivos contra Palmeiras e Grêmio. No meio do caos que foi o futebol brasileiro em 2000, com um campeonato com clubes de todas as divisões, Adhemar chegava ao céu. 

        "Toda aquela virada de mesa, aquela bagunça do futebol brasileiro foi o que proporcionou a gente poder estar ali junto. Apesar de ter sido, entre  aspas, uma reviravolta no tapetão, Deus colocou a mão e nos colocou no cenário do futebol por causa daquela bagunça. O que era para ser uma maldição foi uma bênção para nós", garantiu. 

        O São Caetano acabou derrotado na final para o Vasco depois de polêmica. No jogo da volta, no Rio de Janeiro, o alambrado de São Januário cedeu e a partida foi paralisada. Os times voltaram a jogar depois, no Maracanã, com vitória vascaína, mas Adhemar acredita que o Azulão poderia ter sido declarado campeão. 

        "O Vasco continuou a treinar, a gente entrou de férias e, de repente, marcaram uma partida no Maracanã. Aquela partida foi alguma coisa... Já que era um campeonato que estava meio revirado, foi mais uma das lambanças que eles fizeram. Poderiam ter decretado o São Caetano campeão", garantiu. 

        Chance na Alemanha e quase ida para a NFL

        Depois do sucesso com o São Caetano, Adhemar teve a chance de jogar no Stuttgart. Defendeu a equipe durante uma temporada e meia em sua única experiência no futebol europeu. 

        "Gostei de ter jogado em um alto nível na Bundesliga, um dos melhores campeonatos do mundo, com grandes jogadores. Foi maravilhoso ter saído lá do campinho de terra em Tatuí, em Porto Feliz, e ter jogado em uma arena na Alemanha", admitiu. 

        A fama de Adhemar foi tamanha que depois de ter voltado ao Brasil, entre idas e vindas no São Caetano, o jogador recebeu o convite para jogar futebol americano na NFL (North American Football League). 

        "Surgiu um convite quando eu aposentei para fazer um teste aqui em São Paulo. Fui lá com um empresário americano. Chutei dez bolas de 50 jardas, acertei nove. O empresário ficou maluco, mas tinha que ir para lá, para ir para a Universidade, para depois jogar um ano, depois ser draftado, aí não poderia ter visto de trabalho... Então preferi ficar aqui no Brasil para curtir a minha aposentadoria do que arriscar começar de novo todo um trabalho, concentração, treinamento", confessou. 

        Adhemar ficou no Brasil, curtiu a aposentadoria e, anos depois, ainda voltou ao São Caetano para trabalhar nas categorias de base. "Quando se fala em São Caetano, se fala em Adhemar. Quando se fala em Adhemar, fala em São Caetano", resume toda uma carreira dedicada ao futebol. 

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        Adhemar (BRA)
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