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        Heynckes, lenda do M'Gladbach e comandante do melhor Bayern da história

        Texto por ogol.com.br
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        A primeira imagem que vem à cabeça quando falamos de Jupp Heynckes é a conquista da "Tríplice Coroa" em 2012/13. Foi ao mesmo tempo o ápice e a despedida de uma figura enorme no futebol alemão. Um personagem que viveu as agruras do pós-guerra e encontrou no futebol a realização dos seus sonhos, com um sucesso difícil de igualar como jogador e como técnico.

        Josef Heynckes nasceu em em nove de maio de 1945, em Mönchengladbach, um dia após a rendição oficial da Alemanha na segunda guerra mundial. Nono filho de uma família de 10, Heynckes lembra de uma infância muito simples, em uma das épocas mais difíceis para o país, quando "era incrivelmente difícil não apenas viver, mas sobreviver".

        O futebol foi sempre um escape e para isso não era preciso uma bola de verdade. Heynckes recorda passar horas no quintal brincando com improvisadas pelotas. Era a sua diversão. Afinal, o que mais podia fazer? O garoto não pensava em outra coisa, nem mesmo nos estudos, o seu objetivo desde cedo era ser jogador. A sua maior inspiração, o húngaro Puskás.

        As dificuldades moldaram sua personalidade. A primeira bola de verdade Heynckes garante só ter encontrado quando chegou ao Borussia Mönchengladbach. Acabaria por ser ídolo por lá.

        "Eu me tornei um jogador de sucesso e também um técnico de sucesso não por acaso. É preciso ter diligência, compromisso, sacrifício, obsessão, paixão e muitas outras coisas. E claro eu aprendi isso naqueles tempos difíceis, quando as pessoas ficavam felizes só por terem o que comer", disse.

        A construção do maior goleador do M'Gladbach

        O sucesso do jovem Heynckes no modesto time de sua cidade foi imediato. Promovido aos profissionais em 1964/65, o atacante anotou logo 23 gols em 25 jogos e ajudou o Borussia Mönchengladbach a subir para a elite do futebol alemão. O time, com uma média de idade de aproximadamente 21 anos, era o mais jovem da liga e ganhou por isso o apelido de "Os Potros".

        O melhor ainda estava por vir, mas Heynckes e o M'Gladbach teriam de se adaptar antes aos novos tempos. O atacante ficou por mais duas temporadas no clube, mas acabou negociado com o Hannover 96. Não era fácil para uma equipe em ascensão manter seus principais nomes.

        A passagem pelo Hannover não foi especialmente marcante para o ainda jovem Heynckes, mas serviu de preparação para o seu retorno ao M'Gladbach, em 1970, logo após a conquista do primeiro título da Bundesliga pela equipe. O atacante pode ter perdido o primeiro capítulo da Década de Ouro do clube, mas acabaria por ser tornar em um dos símbolos do sucesso de um time que dominou inesperadamente os anos 70 na Alemanha, desafiando um Bayern de Munique de Gerd Müller, Uli Hoeness, Beckenbauer e outros.

        Heynckes esteve em quatro das cinco conquistas da Bundesliga do M'Gladbach. Venceu ainda uma Copa da Alemanha e uma Copa Uefa (atual Liga Europa). É até hoje o maior goleador da história do clube.

        O sucesso também se repetiu pela seleção alemã, embora tenha sido coadjuvante nas maiores conquistas. Heynckes foi campeão Europeu em 1972 e da Copa do Mundo de 1974, disputando duas partidas em cada campanha, sem marcar gols.

        Os primeiros passos como técnico

        Com problemas no joelho, Heynckes se preparou aos poucos para assumir o papel de técnico. O primeiro passo foi ser assistente de Udo Lattek, e acabaria por ser o sucessor do treinador no Borussia M'Gladbach.

        Ao todo, Heynckes comandou o M'Gladbach por oito anos. Mas o clube já era bem diferente daquele que tinha dominado a Alemanha na década de 70. Foi um período sem títulos para o jovem treinador.

        A mudança para Munique traria finalmente conquistas para o técnico Heynckes. Mas também pela primeira vez teria de lidar com a pressão e expectativas de liderar um gigante acostumado a títulos. Apesar de ter conquistado duas vezes a Bundesliga e duas vezes a Copa da Alemanha, o treinador acabou por deixar o clube no início de sua quinta temporada muito contestado.

        As experiências na Espanha e em Portugal

        O passo seguinte na carreira de Heynckes foi inusitado. O técnico, que em seu tempo de jogador nunca deixou a Alemanha, decidiu aceitar o desafio no Athletic de Bilbao. Foram duas temporadas e lembranças boas para o treinador, que se despediu com classificação para a Copa Uefa em sua segunda temporada, com um bom quinto lugar no Espanhol.

        Um breve retorno à Alemanha para o Frankfurt seria marcado por problemas de relacionamento com jogadores. Heynckes logo voltaria para a Espanha, agora para comandar o Tenerife. O bom trabalho por lá rendeu o convite para o Real Madrid.

        Em Madri, Heynckes conquistou pela primeira vez a Europa. Mas a sua maior conquista foi marcada também por problemas com atletas. O próprio técnico confessou ter aprendido ali uma lição, de valorizar os lugares que o tratam bem. A relação com os jogadores era tão complicada que mais tarde surgiram relatos de agressões verbais nos vestiários antes da conquista da Liga dos Campeões. O treinador ficou apenas um ano no clube e assinou com o Benfica.

        A passagem por Portugal durou pouco mais de um ano e não rendeu também títulos. Voltou então para o Athletic para mais duas temporadas na Espanha e fechou o ciclo longe da Alemanha.

        O melhor fica para o fim

        O Schalke 04 repatriou Heynckes depois de oito anos longe do futebol alemão. Mas o técnico não deixou grandes marcas e foi demitido em sua segunda temporada. Assinou então com o Borussia M'Gladbach e, decidido a "fechar um ciclo", anunciou a aposentadoria para o fim da temporada 2006/07.

        Heynckes repensou a decisão em 2008/09 quando foi chamado para substituir Jürgen Klinsmann no Bayern de Munique, como técnico interino no fim da temporada. Logo depois, assinou com o Bayer Leverkusen e brigou pelo título por dois anos, embora sem sucesso.

        O Bayern de Munique decidiu apostar mais uma vez em Jupp Heynckes em 2011/12. Mas o técnico não conseguiu impedir o bicampeonato do Borussia Dortmund de Jürgen Klopp. E para completar a decepção, o Bayern perdeu para o Chelsea nos pênaltis o título da Liga dos Campeões, quando era franco favorito ao título.

        A temporada seguinte seria diferente. O time já havia dado demonstrações de sua força no ano anterior, embora tenha falhado nos momentos decisivos. Agora, o Bayern de Heynckes mostraria sua versão mais implacável: uma verdadeira máquina de triturar rivais.

        Na Bundesliga, o título veio por antecipação, com incríveis 25 pontos de vantagem sobre o Dortmund de Klopp. A Liga dos Campeões terminou com mais um embate Heynckes x Klopp e com o Bayern levando a melhor sobre o time aurinegro. Para completar com chave de ouro a temporada, o título da Copa da Alemanha, sobre o Stuttgart, poucos dias depois.

        A inédita Tríplice Coroa na Alemanha marcou o que para muitos foi o melhor Bayern da história. Uma equipe que serviria como base um ano depois para a Alemanha campeã mundial, e que contava ainda com Robben e Ribèry entre os craques estrangeiros. Foi também a despedida de Heynckes, que já havia comunicado durante a temporada o desejo de voltar a sua aposentadoria.

        Em 2017/18, Heynckes ainda comandou mais uma vez o Bayern, com mais um título da Bundesliga, mas apenas para atender a um pedido emergencial do clube e por gratidão. Afinal, o técnico neste momento já estava dedicado a um projeto menos ambicioso: cuidar de seu jardim ao lado de sua esposa, longe da vida pública, para aproveitar a merecida aposentadoria.

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