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        Histórias do Futebol
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        O 'Super Dépor' que desafiou hegemonia de Barça e Real

        Texto por Eduardo Massa
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        Hoje pode parecer difícil imaginar, mas houve um tempo em que o Deportivo La Coruña tinha um esquadrão capaz de jogar de igual para igual com os dois gigantes da Espanha, Barcelona e Real Madrid. Na década de 90, o modesto time galego viveu o seu grande momento e ficou conhecido como o "Super Depor".

        Na realidade, foram dois "Super Depor", duas fases distintas, em um intervalo de 10 anos. E com uma legião de brasileiros em destaque por todo esse período. Mas como um clube que ficou longe da elite por quase duas décadas conseguiu alcançar o topo na Espanha? 

        A criação do Super Depor

        Capital da Galiza, a Corunha é uma pequena cidade de aproximadamente 250 mil habitantes. Apesar de tradicional, o Deportivo La Coruña tinha como grande feito o vice-campeonato em 1950. O retorno à elite em 1991, depois de 18 anos, foi comemorado como uma conquista enorme pelo torcedor.

        E a primeira temporada foi o que se esperava para o Deportivo. O time lutou para se manter na elite a duras penas, e conseguiu a sonhada estabilidade. Nem o mais otimista torcedor deveria esperar que o clube seria uma potência a ser temida até por Barcelona e Real Madrid nos anos a seguir.

        O primeiro ano na elite foi difícil, mas o Deportivo soube aproveitar o momento propício para investir. De uma forma, o clube foi obrigado por lei a se modernizar e virar empresa, o que por si só não é certeza de sucesso. Mas o presidente Augusto César Lendoiro aproveitou a injeção de capital e uma nova fase de opulência na Europa, com a criação também da Liga dos Campeões, e montou um time competitivo com duas contratações de peso brasileiras: Mauro Silva e Bebeto. O volante ainda era uma jovem promessa vinda do Bragantino, mas faria história no clube, assim como o já renomado atacante.

        O resultado logo foi visto em campo, com um futebol cativante do time comandado por Arsenio Iglesias, ídolo por lá por seu tempo de jogador especialmente nos anos 50, os melhores até então no clube. Bebeto terminou a temporada como artilheiro e o Deportivo brigou de igual com Barcelona e Real, mas ficou em terceiro: o título ficou com o famoso "Dream Team" catalão.

        A temporada seguinte foi ainda mais espetacular, com a adição de novos nomes, entre eles outro brasileiro, Donato. Mas foi também um dos momentos mais dolorosos para o clube, que perdeu o título na última rodada, no empate em 0 a 0 com o Valencia, depois de Dukic desperdiçar penalidade no último minuto de jogo. O Barcelona de Romário, Stoichkov, Michael Laudrup e grande elenco conquistou mais um título.

        O maior time da história do Deportivo La Coruña ficaria sem o título espanhol, culpa da forte concorrência à época e de um toque de azar. Mas não seria desfeito sem ao menos uma grande conquista. Em 1994/95, apesar de novo vice na Liga, o Super Depor bateu o Valencia na final da Copa do Rei para se sagrar campeão.

        A reconstrução do Super Depor

        O título praticamente colocou fim ao Super Depor, que perdeu seu treinador e aos poucos desfez sua base. Bebeto, por exemplo, saiu na temporada seguinte. Foram momentos de turbulência, mas a diretoria não deixou de investir, e com brasileiros sempre em destaque. Em 1996, Flávio Conceição, Rivaldo e Renaldo foram contratados, embora apenas o primeiro tenha permanecido mais de uma temporada.

        No ano seguinte mais Luizão e Djalminha chegaram ao clube. O primeiro sem deixar muitas saudades por lá. Já o segundo seria fundamental na maior conquista da história do clube.

        Em 1999/2000, seis anos depois de perder de forma traumática o título, o Deportivo La Coruña finalmente chegou ao topo da Espanha, superando os favoritos Real e Barça. O troféu só foi garantido na última rodada, mas sem o mesmo drama de 94: Donato e o goleador holandês Makaay marcaram contra o Espanyol, em vitória tranquila por 2 a 0, garantindo o feito histórico. O já experiente Mauro Silva era a fortaleza no meio-campo, com Djalminha como o grande criador de jogadas.

        O Deportivo se manteria ainda em grande forma nos anos seguintes e conquistaria mais um troféu histórico em 2002: a Copa do Rei, derrotando o "galáctico" Real Madrid por 2 a 1, em pleno Santiago Bernabéu e no centenário do clube. Mauro Silva e Djalminha estiveram em campo neste dia.

        A história do Deportivo é a de um time modesto que não só atingiu o topo, mas conseguiu se manter entre os melhores da Espanha por um longo período, desafiando a lógica. É também um roteiro difícil de se repetir, mas nada impede o torcedor da Corunha de imaginar uma terceira fase para o Super Depor.

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