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Histórias do Futebol
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Eto'o por Ibra: Quando Guardiola ajudou Mourinho a conquistar o triplete

Texto por Eduardo Massa
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"O melhor negócio da história do futebol". Com esta frase, o próprio Samuel Eto'o definiria a sua transferência do Barcelona para a Internazionale, em troca por Ibrahimovic, em 2009. E talvez esteja certo, mas apenas para um lado. Se à época a negociação causou estranheza, hoje ninguém tem dúvida de que apenas o time italiano lucrou com a situação.

O dia em que Pep Guardiola decidiu se desfazer de um dos destaques do primeiro triplete da história do futebol espanhol pode ser lembrado também como o dia em que ajudou o seu futuro arquirrival, José Mourinho, a conquistar o seu próprio triplete inédito na Itália.

Mas se hoje é fácil apontar o erro de Guardiola, na época não era assim tão claro. As críticas ao Barcelona foram não tanto pela troca em si, mas pelo valor adicional de 46 milhões de euros pagos à Inter (e o empréstimo de Hleb), que correspondia a uma verdadeira fortuna naquele tempo. Soubesse o que lhe reservava o futuro, a Inter provavelmente aceitaria até o contrário.

O contexto: atritos entre Eto'o e Guardiola e Ibra insatisfeito na Inter

Artilheiro do Italiano em 2008/09 e tricampeão pela Inter, Ibrahimovic era considerado praticamente inegociável no clube. O sueco ainda contava com a admiração de José Mourinho - os dois construíram uma amizade duradoura - e a primeira proposta do Barcelona foi prontamente recusada. Não envolvia Eto'o. Mas Ibra queria mais. Queria a Liga dos Campeões, e achava que na Inter não poderia alcançar o feito.

Do lado catalão, Eto'o tinha sido fundamental para o sucesso do esquadrão histórico da "Era Ronaldinho Gaúcho" e se manteve no topo com o despontar de Lionel Messi. Os seus 36 gols em 2008/09 não deixavam dúvidas sobre a sua grande fase. Mas o seu relacionamento com Pep Guardiola não era dos melhores. "Eu amo o Guardiola como técnico, mas não como pessoa", admitiria mais tarde. E foi o técnico quem colocou o camaronês no mercado.

Sem clima para Eto'o, o Barcelona decidiu utilizar o camaronês como trunfo para convencer a Inter a liberar Ibra. O sueco avisou Mourinho de suas ambições e arrumou suas malas para seguir para Barcelona. O português não queria sua saída, mas chegou a dar declarações fortes na época para mostrar que não estava preocupado. "Se comparar a carreira de Eto'o com a de Ibra, toda a pressão está sobre Ibrahimovic", chegou a dizer.

Eto'o se adapta para vencer, Ibra prefere o confronto

O talento da dupla era inquestionável, mas apenas um teve sucesso em sua nova empreitada. E a diferença teve muito mais a ver com a personalidade e atributos mentais e emocionais do que com a afinidade com a bola. Desafiado e fora de sua zona de conforto, Eto'o se adaptou para vencer. Já Ibra enfrentou situação semelhante e preferiu o confronto.

Acostumado ao papel de goleador em seu período no Barcelona, Eto'o não teria espaço para cumprir a função na Inter de Mourinho. O técnico investiu na contratação de Diego Milito, em grande fase, e o argentino logo provou estar no seu auge. Homem de área clássico, Milito dificilmente conseguiria cumprir outras funções. Coube ao camaronês, mais habilidoso e dotado tecnicamente, o sacrifício, recompensado ao longo da temporada pelos resultados.

Do outro lado, Ibra encontrou Lionel Messi também em seu auge. Por mais talentoso que fosse o sueco, seria impossível brigar por posição com o genial argentino, bem adaptado à nova função de "falso 9". Fora isso, o seu ego foi também desafiado: seria agora coadjuvante. O resultado foi o conflito com Guardiola e uma passagem pouco marcante.

Quis o destino, inclusive, colocar o Barça de Ibra frente a frente com a Inter de Eto'o na semifinal da Liga dos Campeões. O time italiano levaria melhor com vitória por 3 a 1 no primeiro jogo e derrota por 1 a 0 no segundo. E se nenhum dos dois foi protagonista, a memória do camaronês se desdobrando depois da expulsão precoce de Thiago Motta no jogo de volta, atuando quase como um lateral esquerdo para defender a vantagem, segue viva para os torcedores nerazzurri.

No fim, Eto'o venceu o seu segundo triplete seguido, por dois clubes distintos, algo praticamente irrepetível. Ibra terminou sua única temporada no Barça vendo o seu ex-clube levantar a taça de campeão europeu, que era a sua maior ambição na carreira.

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