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        2010: A consagração dos 'Guerreiros Tricolores'

        Texto por ogol.com.br
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        A superação histórica e inédita de 2009 preparou o grupo do Fluminense para sobreviver a praticamente qualquer pressão. Nem mesmo a forte concorrência de Corinthians e Cruzeiro, nem o jejum de 26 anos impediram o time de sonhar. O "Milagre Tricolor" de 2009 deu início à mística do "Time de Guerreiros", e o Brasileiro de 2010 foi a consagração de uma equipe que aprendeu a nunca desistir.

        O Brasileiro de 2010 também ficou marcado pela ascensão de um prodígio, Neymar, que fez sua primeira campanha como titular no Santos e, apesar da idade, terminou como vice-artilheiro. Foi o ano da formação de um Corinthians que seria campeão no ano seguinte, e por pouco não o fez já em 2010. O ano do despertar goleador de Jonas pelo Grêmio. De um pequeno argentino que brilhou tanto que fez esquecer a rivalidade entre vizinhos para ser quase unanimidade no Brasil. Um campeonato aberto e emocionante até o último jogo.

        Curiosamente, a consagração do "Time de Guerreiros" não teve como palco o Maracanã. O estádio foi interditado ao longo do Brasileiro, primeiro parcialmente, depois encerrado por completo, por conta das obras de preparação para a Copa do Mundo de 2014.

        O despertar dos Guerreiros

        Não é possível pensar no título Brasileiro de 2010 sem contar a história das intempéries que transformaram aquele grupo em 2009. Em determinado momento da temporada, o Fluminense teve o rebaixamento praticamente decretado. Chegaram a apontar o clube com 99% de chances de cair, e os cálculos probabilísticos não estavam errados... Era preciso uma arrancada inimaginável. Cuca assumiu o comando de uma missão desacreditada, e o time se agarrou aos 1% que lhe restava. A arrancada final contra o descenso ficou conhecida como o "Milagre Tricolor", e se tornou referência futura para todos aqueles que pensam em abandonar as esperanças.

        "Falando do time de 2010 no Campeonato Brasileiro, naturalmente você já lembra de 2009. Tudo que aconteceu em 2010 é fruto do que nós colhemos de uma equipe que surgiu em 2009, de uma base muito forte, tanto tecnicamente como na parte psicológica", explicou o campeão de 2010, Gum, em conversa com oGol.

        A entrega e a superação daquela equipe em 2009 fizeram surgir uma química única entre jogadores e torcedores. Gum se tornou um símbolo daquele grupo, que ganharia a alcunha de "Time de Guerreiros". O zagueiro ainda recorda com detalhes o momento da transformação, na partida de volta da semifinal da Sul-Americana, contra o Cerro Porteño, quando o time vinha de uma sequência invicta de 11 partidas e já tinha reconquistado a confiança das arquibancadas.

        "Ganhamos fora de 1 a 0 e tomamos um gol no começo do jogo, estávamos perdendo de 1 a 0, e no meio do jogo sofri uma cotovelada do atacante deles, e estava sangrando muito, e o Cuca ia me tirar. Eu pedi para ele - 'não me tira não'", relembrou.

        Gum e a comemoração eternizada ©Getty / ANTONIO SCORZA

        "Consegui colocar uma faixa na cabeça e voltar para o jogo. E Deus me abençoou de ter feito o gol no fim do segundo tempo. Esse gol deu o empate que naquele momento estava nos dando a classificação", continuou.

        "Quando eu fiz o gol de empate, logo na comemoração, a torcida começou a gritar: 'Gum, Guerreiro, Gum, Guerreiro'. Acabou ficando eternizado por esses anos todos de Fluminense", finalizou.

        A imagem de Gum ensanguentado, com a cabeça enfaixada, comemorando a classificação em um momento difícil, acabou por se tornar um marco simbólico daquela retomada. E seria o canto que embalaria o título de 2010, motivo de orgulho nas vitórias, e que daria força aos jogadores nos momentos mais complicados, que não foram poucos.

        "No jogo seguinte, isso virou reconhecimento por toda equipe, todo o time, pelo que vinha fazendo. A torcida começou a gritar 'Time de Guerreiros', e ficou. O cântico de Gum Guerreiro antes dos jogos. E Time de Guerreiros em todos os jogos, nos momentos de dificuldade e de alegria. A torcida reconheceu esse feito desta geração de 2009, que se estendeu por alguns anos, ganhando títulos. Foi benção demais. Desta forma surgiu o Time de Guerreiros", resumiu.

        Experiência para superar concorrência do Corinthians

        A campanha para encerrar o jejum de 26 anos do Fluminense no Brasileiro foi muito dura. Mas o time tinha experiência de sobra para lidar com a pressão: pela vivência de 2009, pelo passado vitorioso de Muricy Ramalho (Cuca não resistiu até o Brasileiro), e por nomes como Deco.

        Um dos momentos-chave da campanha, para Gum, foi justamente em uma derrota. Um confronto direto com o Corinthians, pela 22º rodada, no Engenhão. Líder, o Flu podia abrir seis pontos de vantagem e, ao invés disso, acabou vendo o rival igualar a disputa.

        "Estávamos todos chateados, de cabeça quente por termos perdido o jogo, realmente uma cobrança entre nós. O Deco falou naquele momento que a gente tinha de ter tranquilidade e que era momento de se fechar ainda mais, para se fortalecer para os próximos jogos. Nós éramos os primeiros e continuaríamos a ser os primeiros, para sermos campeões. Achei muito bacana ele falar daquela forma e realmente trouxe uma tranquilidade para o vestiário. Era um momento realmente muito difícil, perder o confronto direto em casa para o nosso adversário, que era o Corinthians", revelou.

        A campanha teve grandes exibições tricolores, como no 5 a 1 sobre o Atlético Mineiro e no 4 a 1 sobre o São Paulo. Mas também teve percalços, como nos confrontos diretos com Corinthians e Cruzeiro. O time mineiro cresceu na reta final e o trio chegou na última rodada com o título em aberto, embora com o Flu em vantagem. Era preciso vencer o Guarani, e o jogo foi duro. O gol da vitória saiu apenas no segundo tempo, com Emerson Sheik.

        "Foi difícil, foi intenso, teve pressão, e com muita emoção, mas fomos campeões e depois de 26 anos pudemos comemorar um título muito importante para nós. E essa geração de Guerreiros ficou marcada com a sequência do bicampeonato, tanto de 2010 como 2012, e a arrancada que foi em 2009, onde tudo começou", rememorou Gum.

        Conca lidera um time de craques

        A alcunha de "Time de Guerreiros" faz às vezes esquecer que não falamos aqui de uma equipe onde a raça e a entrega eram as únicas qualidades. Pelo contrário. O Fluminense colhia os frutos da parceria longa com a Unimed, e tinha uma equipe com muita qualidade técnica.

        Conca, o Craque do Brasileirão ©Getty / Thiago Bernardes
        Atrás, Gum e Leandro Euzébio demonstravam ótimo entendimento e formaram a defesa menos vazada do Brasileiro, acompanhados por dois laterais em grande fase, Mariano e Carlinhos. Na frente, Fred, talvez o principal responsável pelo "Milagre Tricolor", sofria com as lesões, mas a equipe trouxe de volta Washington, o Coração Valente, e ainda contou com Emerson Sheik na reta final. A pausa para a disputa da Copa do Mundo ajudou o Flu neste sentido, a encontrar opções no meio da campanha - Deco foi outra delas, assim como o experiente Beletti.

        No entanto, o grande nome de 2010 foi Darío Conca. Foi o auge do argentino. Além de sua qualidade criativa e de ser o homem dos momentos decisivos, o tímido baixinho simplesmente foi de uma constância impressionante. Atuou nas 38 rodadas - foi o único homem de linha a conseguir o feito - e chegou a escutar de Muricy Ramalho que não poderia mais fazer faltas para evitar a suspensão por acúmulo de amarelos.

        "Impressionante como ele teve a capacidade para jogar todos os jogos. Inclusive, nos últimos, ele estava com dois cartões amarelos e não podia mais fazer faltas, por que estava desequilibrando os jogos, estava muito bem. E nós não queríamos que ele desfalcasse na reta final, que era tão importante para nós. Fez um campeonato brilhante, com gols decisivos, passes... Jogos que ele realmente, de uma forma assim muito brilhante, nos ajudou a vencer", elogiou Gum.

        Números da edição: 

        Média de gols:2,57 gols/jogo

        Melhor ataque: Grêmio - 68 gols

        Melhor defesa: Fluminense - 36 gols sofridos

        Artilheiro: Jonas (Grêmio) - 23 gols

        Jogador com mais partidas: Darío Conca (Fluminense) - 38 jogos

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