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        1974: O Brasileirão 'dinamitado' pelo Vasco

        Texto por Carlos Ramos
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        O Campeonato Brasileiro de 1974 foi disputado por 40 equipes, e teve algumas especificidades. Incluindo um regulamento que beneficiava os clubes com maior apoio de seus torcedores. 

        Sim, nesse campeonato a torcida, de fato, jogava junto. Na primeira fase, foram formados dois grupos com 20 equipes. Os 22 melhores colocados avançaram para a segunda fase, e não só: os dois times com as melhores rendas também conseguiram classificação. Sendo assim, Fluminense e Nacional, do Amazonas, também seguiram adiante. 

        Depois ainda houve uma segunda fase e, em seguida, um quadrangular final. Isso com 40 equipes. A competição começou em janeiro de 74 e terminou no dia primeiro de agosto, com uma final entre Cruzeiro e Vasco. 

        Aquele foi o último Brasileiro do Rei Pelé, que mais tarde iria se mudar para o Cosmos, dos Estados Unidos. Se o Rei estava se despedindo do futebol brasileiro, um craque surgiu: Roberto Dinamite

        Roberto Dinamite: o cara da edição

        Sim, o Campeonato Brasileiro de 1974 foi o campeonato que a Dinamite explodiu na Colina. Convidado por oGol para contar a história daquele campeonato, o ex-atacante Roberto Dinamite lembra que foi uma conquista especial por se tratar de um ano de afirmação em São Januário. 

        Dinamite explodiu

        "Foi o primeiro campeonato que joguei como titular. O Vasco foi campeão, fui artilheiro pela primeira vez da competição. É um campeonato com um sabor especial para mim", lembra Dinamite. 

        Foi ali que o maior artilheiro da história do Campeonato Brasileiro surgiu. Foi a primeira temporada da carreira de Dinamite com mais de 30 gols. Ainda começando, Dinamite revela que foi amparado por um elenco experiente. 

        "Eu era um jovem entrando em uma equipe que realmente tinha jogadores mais experientes e que me deram todo o apoio para que eu pudesse chegar a essa condição, de titular, de artilheiro e ajudar a conquistar o primeiro título do Vasco", comentou o ex-atacante, que exemplifica. 

        "Teve um jogo no Nordeste que comecei a sofrer uma marcação muito forte, um cara fez uma falta, depois outra, depois a terceira. Depois recebi uma bola e vi que o cara estava vindo para me dar uma 'porrada'. Aí escorei com o cotovelo, que pegou no peito do cara, que caiu. Os adversários vieram todos para cima de mim. E esse Vasco tinha Moisés, Renê, Alcir. Paulo César Puruca,  jogadores mais experientes. E eles fizeram tipo uma roda, me colocaram no meio e falaram: 'Nesse garoto, ninguém toca'. Para mim, no início de carreira, ouvir dos meus companheiros isso, me senti mais forte durante a competição", completou. 

        Dinamite explodiu com grandes atuações, superando verdadeiros esquadrões. O atacante fez um hat-trick contra o Internacional, de Paulo Roberto Falcão; marcou e derrubou o Santos, de Pelé; também marcou e levou a melhor sobre o Atlético, de Reinaldo; e no fim superou o Cruzeiro de Nelinho, Piazza, Dirceu Lopes e Palhinha, um dos maiores times da história da Raposa. 

        "O Vasco foi campeão em razão da união, de todo mundo está junto. Não era a melhor equipe, mas tinha aplicação, determinação e até uma malandragem desses jogadores experientes. A gente sabia das nossas limitações, mas a gente tinha uma vontade muito grande de buscar os resultados. O futebol é isso, você não ganha só com qualidade. Tem que mostrar também disposição", analisou Dinamite. 

        Final polêmica

        A final contra a Raposa gerou certa polêmica. Os mineiros contestaram bastante a arbitragem e também a decisão de o jogo da final ser disputado no Maracanã. O regulamento da época previa que a decisão seria na casa da equipe de melhor campanha, então o Cruzeiro, mas uma agressão ao árbitro no jogo anterior a final, por parte de dirigentes mineiros, fez a partida ser marcada para o Maracanã. Dinamite relativizou a escolha do estádio. 

        o Vasco campeão contra o Cruzeiro

        "O Maracanã é uma espécie de campo neutro, principalmente com o Cruzeiro, um time que toca bem a bola, vários jogadores como Nelinho e outros mais, mas prevaleceu nosso espírito de equipe", ressaltou. 

        Nelinho, um dos destaques da campanha cruzeirense e autor do gol celeste na final, também falou com oGol e passou o outro lado da história. Segundo o jogador mineiro, a mudança de palco da final, de Minas para o Rio, prejudicou demais a Raposa. E não só. 

        "A decisão deveria ser no Mineirão, em uma quarta-feira, aí na terça-feira a noite recebemos um comunicado de que o jogo tinha sido transferido para o Maracanã devido a última partida do Cruzeiro no Mineirão ter havido uma invasão de campo de nosso dirigente. Aí, amigo... Aquilo ali foi muito armado. Chegamos lá, perdemos por 2 a 1, fizemos um gol em cima da hora, o Armando Marques anulou sem nunca ter explicado porque ele anulou... O bandeirinha do lado, que era o Oscar Scolfaro falou que não viu nada de anormal e isso doeu muito. Porque esse era o campeonato que mesmo jogando no Rio a gente poderia ter ganho, não porque nosso time era muito melhor, mas porque foi sacanagem o que os caras fizeram. A gente merecia ter ganho. Eu lamento muito", contestou Nelinho. 

        No final das contas, o Vasco venceu, por 2 a 1, apesar de toda a polêmica também na final (de novo envolvendo a arbitragem), e conquistou seu primeiro Campeonato Brasileiro. 

        "Tecnicamente, o Cruzeiro era melhor, mas a gente tinha essa forma de jogar, de todo mundo estar ajudando um ao outro. E nós conseguimos uma grande vitória. Tínhamos o Jorginho Carvoeiro, jogador de velocidade... No papel, o Cruzeiro era melhor, mas nosso time, dentro da nossa proposta, de não se entregar, de se superar, era bom. A conquista veio em cima disso: saber que do outro lado tinha um time tecnicamente melhor, mas íamos buscar o resultado", finalizou Dinamite. 

        Números da edição

        Média de gols da edição: 2,12 gol/jogo

        Melhor ataque: Atlético Mineiro, Flamengo e Santos  - 41 gols

        Melhor defesa: Grêmio - 11 gols sofridos

        Artilheiro: Roberto Dinamite (Vasco) - 16 gols

        Jogador com mais partidas: Fidelis (Vasco) - 28 jogos

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