Siga o instagram do oGol
        1xBet
        Brasileirão
        Brasileirão

        2018: Com segundo turno invicto, Palmeiras de Felipão conquista o Brasileiro

        Texto por Caio Fiusa
        l0
        E0

        O ano de 2018 do Palmeiras começou da pior maneira para o torcedor, com a perda do título estadual, no qual a equipe era favorita, para o maior rival. Ainda que as coisas estivessem indo bem na Libertadores e Copa do Brasil, o Alviverde oscilou no início do Brasileiro, e a diretoria entendeu que era sinal claro de necessidade de mudança. Uma decisão que acabou por definir o campeonato.

        A alternativa para solucionar os problemas palmeirenses no campeonato nacional foi para lá de conhecida: Luiz Felipe Scolari. O treinador já havia conquistado uma Libertadores, duas Copas do Brasil, uma Mercosul e um Rio-São Paulo. Faltava um Brasileiro. Sob o comando de Felipão, o Alviverde construiu o melhor turno da história da competição até então, com 20 times em pontos corridos, e conquistou o título. 

        Família alviverde Scolari

        Um dos principais personagens da temporada palmeirense, o atacante Deyverson conversou com oGol e relembrou alguns momentos da campanha que, apesar do vice no Paulista e as eliminações nas semifinais da Libertadores e Copa do Brasil, culminou no título brasileiro. 

        O ano começou de forma turbulenta para o Palmeiras. No Paulista, o Alviverde avançou com folga, na liderança do grupo C, passou com facilidade pelo Novorizontino, nas quartas de final e na semi superou o Santos, na disputa por pênaltis. O adversário da final foi o arquirrival Corinthians e após muita polêmica no tempo normal, outra decisão nas penalidades, que culminou no título alvinegro na casa alviverde.   

        "Realmente, sempre que se perde um clássico desse, fica um gosto de decepção. Eu fiquei com a sensação de que não dei o meu máximo. Claro que ficamos tristes, mas não abaixamos a cabeça", lembrou Deyverson.   

        Não houve tempo para lamentar e, oito dias depois, o Palmeiras estreou no Brasileiro com um empate por 1 a 1 diante do Botafogo, no Rio de Janeiro. O Alviverde manteve a invencibilidade nas quatro primeiras rodadas com mais duas vitórias, sobre Internacional e Athletico Paranaense, e um empate com a Chapecoense. Até que o quinto compromisso foi novamente o Corinthians. A equipe palmeirense visitou o arquirrival e foi derrotada por 1 a 0.

        No Brasileiro, o Palmeiras não engrenava, mas paralelamente a isso, a equipe rendia na Libertadores, competição na qual o clube avançou como líder do grupo. Porém, na 15ª rodada do nacional, a derrota no Rio para o Fluminense, por 1 a 0, encerrou a passagem de Roger Machado no comando do time. No dia seguinte, Luiz Felipe Scolari foi anunciado como técnico, mas só assumiu de fato na semana seguinte e fez sua estreia na 17ª rodada.

        ©Getty /
        A chegada de Felipão deu novo ânimo ao Palmeiras e foi especialmente boa para Deyverson, que viveu seu melhor momento no time sob o comando do treinador e virou um dos jogadores mais queridos da torcida. Até então com apenas três gols no ano, o atacante dobrou os números e teve papel importante na arrancada para o título do Brasileiro.

        "O Felipão é um cara sensacional, por toda a sua história e títulos e não tem vaidade. Ele chegou e abraçou todos, deu oportunidade e estendeu a mão para os jogadores se reerguerem. O jogador que não está jogando dá um pouco a mais quando chega técnico novo. Contra o Bahia, fui o melhor em campo, mas fui expulso. Eu segui trabalhando e ele me deu oportunidade. Tenho que agradecer muito ao Felipão", lembrou Deyverson.

        Jogos decisivos no Rio

        Em um campeonato de pontos corridos não há final. Porém, alguns jogos marcam a campanha e principalmente quem vai a campo. Um deles foi contra o Flamengo, na 31ª rodada. Naquela altura, o Palmeiras era o líder com 62 pontos e o Rubro-Negro, o vice, com 58. Um revés no Rio de Janeiro deixaria os adversários colados e o time carioca vinha embalado. Na época, a expressão "cheirinho de título" foi usada pelos rubro-negros como motivação, para demonstrar que o clube estava encostando no primeiro colocado e pronto para agarrar as chances de conquistar o troféu. 

        Os gols ficaram para a segunda etapa e aos quatro, Dudu, figura fundamental do time, abriu o placar. O empate ocorreu aos 35, com Marlos Moreno, o que criou um clima de tensão no Maracanã, mas ao final, o Alviverde suportou a pressão e voltou para casa com a vantagem mantida. E o "cheirinho" foi de motivação para zoação. Deyverson lembrou que, ainda que não estivesse em campo por suspensão, a partida foi a mais tensa da campanha. 

        "Nesse ano, a nossa rivalidade foi com eles por causa dos pontos. Nós estávamos pensando neles e eles em nós. Foi uma disputa muito equilibrada, contra um clube grande. A partir daquele resultado, tivemos noção que poderíamos ser campeões", contou.

        Entretanto, embora tenha renovado o ânimo, construindo uma excelente sequência de resultados no Brasileiro, e contribuído para a boa fase de Deyverson, a chegada de Felipão não evitou as eliminações do Palmeiras nas duas Copas. Em setembro, o clube havia caído para o Cruzeiro, na semifinal da Copa do Brasil e, quatro dias após o empate com o Flamengo no Maracanã, o Boca Juniors tirou o Alviverde da Libertadores. O atacante contou que Felipão teve papel fundamental para que o elenco seguisse focado na busca pelo título brasileiro.

        "O Felipão é muito experiente. Claro que as eliminações abalaram, mas o Palmeiras tinha grandes jogadores e ele falou para levantarmos a cabeça, nada estava perdido e ainda tínhamos o Brasileiro. E isso não foi em vão. Ficamos duas, três semanas tristes, mas depois conseguimos conquistar o título", disse.

        Apesar da importância com Felipão, Deyverson também teve que lidar com críticas, muito por conta do seu comportamento provocador em campo, que podia agradar os palmeirense, mas irritava rivais e rendeu três expulsões. O atacante reconheceu os erros e deu a volta por cima.

        Deyverson comemora o título ©Getty / Alexandre Schneider

        "Eu sempre me dediquei, não fazia muitos gols porque saía muito da área, ajudava na marcação, contribuía para o time e os meus companheiros. Muitas pessoas não acreditavam no meu futebol. Os torcedores estavam decepcionados comigo. Eu cometi muitos erros, mas nunca deixei de acreditar. Não tenho vaidade, sigo trabalhando. O Felipão me ajudou e eu quis retribuir", explicou.

        O plantel palmeirense de 2018 possuía jogadores experientes como os goleiros Jaílson e Fernando Prass, o zagueiro Edu Dracena, os volantes Felipe Melo e Jean e o meia Moisés. Deyverson lembrou do apoio recebido pelo grupo dos veteranos para que mantivesse a calma durante as partidas e seguisse contribuindo para as vitórias.  

        "A relação sempre foi de carinho. Não são meus amigos, são irmãos. Eles falavam que precisavam de mim, que eu era importante para o time e não podia perder a cabeça. Eles me passavam tranquilidade", exaltou. 

        Na sequência, o Palmeiras venceu Santos, Fluminense e América Mineiro e empatou com Atlético Mineiro e Paraná até chegar à 37ª rodada, em novo compromisso no Rio de Janeiro. Desta vez, o adversário era o Vasco e, como a diferença para o Flamengo estava em cinco pontos, cabia ao Alviverde uma vitória simples para garantir o caneco. E foi o que aconteceu.

        O Palmeiras bateu o Cruz-Maltino em São Januário por 1 a 0, gol de Deyverson, aos 26 da segunda etapa. Além dos três pontos, do gol e do título, o jogo teve um sabor especial para o atacante alviverde, afinal, ele reencontrou uma velha paixão.

        "Eu revejo o meu gol contra o Vasco até hoje e é o time do meu coração, né? (risos)", revelou Deyverson.

        Recorde Alviverde

        Se no primeiro turno, a campanha foi oscilante, no segundo, o Palmeiras terminou de forma invicta, com 14 vitórias e cinco empates. O último triunfo veio na rodada final, em casa, na entrega das faixas, contra o Vitória. Os três pontos garantiram ao Alviverde o melhor turno da história do Brasileiro por pontos corridos com 20 times até então, disputado desde 2006, superando o rival Corinthians, que tinha alcançado tal feito no ano anterior. Curiosamente, o recorde seria quebrado novamente no ano seguinte, pelo Flamengo.

        Dudu, Craque do Brasileirão ©Getty / Alexandre Schneider
        Apesar disso, Deyverson contou que este não era um assunto das conversas entre os atletas do Palmeiras. O Alviverde terminou a segunda metade da competição com 47 pontos somados, mesmo número do Corinthians de 2017, entretanto, levou vantagem no saldo de gols. 

        "Não pensávamos nisso e sim, no que era melhor para nós. Queríamos ganhar, dar alegria ao torcedor e aos funcionários. Você tem que pensar no seu objetivo, que é ganhar", contou o atacante.

        E foi o que o Palmeiras fez no segundo turno sob o comando de Felipão, e com Dudu como campeão de assistências e Craque do Brasileirão  - ganhou até garantir o título.

        Números da edição: 

        Média de gols: 2,18 gols/jogo

        Melhor ataque: Palmeiras - 64 gols

        Melhor defesa: Palmeiras - 26 gols sofridos

        Artilheiro: Gabriel Barbosa (Santos) - 18 gols

        Jogador com mais partidas:  Jandrei (Chapecoense) e Victor (Atlético Mineiro) - 38 jogos

        Lista
        Comentários (0)
        Tenha em atenção as Regras de Conduta antes de escrever o seu comentário. Se não as conhece poderá ser uma boa oportunidade para o fazer aqui.
        motivo:
        EAinda não foram registrados comentários…
        Links Relacionados
        Jogador
        Equipe
        Competição