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        1988: Com elegância sutil, Bahia triunfa

        Texto por Caio Fiusa
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        Há quem diga que nenhum jogo, e até mesmo nenhum campeonato, é igual ao outro. A edição do Campeonato Brasileiro de 1988 se encaixa perfeitamente nisso. Novo formato, novas regras, final após a virada do ano e um novo campeão. Tudo bem que o Bahia já havia conquistado a Taça Brasil de 1959, que posteriormente veio a ser considerada a primeira edição do nacional, com a unificação dos títulos. Mas, até aquele ano, o Tricolor Baiano ainda não havia levantado o troféu da competição com esta nomenclatura. 

        No ano anterior da disputa, houve o rompimento do Clube dos 13 e CBF, o que acarretou na briga eterna entre Sport e Flamengo pelo título de 1987. Em 1988, o Campeonato Brasileiro contou com um número menor de participantes (24), um sistema definido de acesso e rebaixamento (que foi cumprido, diga-se) e teve início em setembro. Um mês antes, o Bahia se consagrou tricampeão estadual. Mesmo com o domínio no estado, os jogadores do Tricolor de Aço não se deram por satisfeitos e foram além. Para Bobô, meia e craque da equipe, o técnico Evaristo de Macedo foi fundamental no êxito do time na disputa do nacional. 

        ''Devemos muito ao Evaristo a formação do time. Ele soube qualificar mais ainda a equipe e tirar mais de nós. Ele fez alterações que tinha que fazer, trouxe jogadores novos, mas manteve a base de 1986. Ele acrescentou alguns jovens também. Era difícil entendermos que poderíamos ser campeões no início. Ao longo da competição, nós fomos acreditando, confiando no time e no nosso desempenho'', disse o ex-camisa 8 ao oGol.

        Novo regulamento, três pontos e pênaltis

        Naquela edição, os 24 clubes foram divididos em dois grupos de 12 e jogaram dois turnos. No primeiro, equipes do A enfrentaram as do B, em doze rodadas. No segundo, confrontos foram entre os times do mesmo grupo, totalizando onze jogos para cada. Os dois melhores de cada grupo em cada turno garantiram presença nas quartas de final. Os quatro piores na pontuação geral foram rebaixados.

        Além disso, cada triunfo passou a valer três pontos. Porém, em caso de empate, os times conquistavam um ponto cada e havia uma disputa de pênalti. O vencedor, somava um ponto extra. A fase de grupos foi finalizada em dezembro e o mata-mata teve início em janeiro de 1989, com as finais logo após o Carnaval. Achou complicado? Bobô também.

        ''Era um campeonato esquisito, que começava em um ano e terminava no outro. O calendário era louco. Foi diferente porque houve uma interrupção. Nós voltamos para disputar um título nacional após uma pausa e com carnaval no meio. Imagine isso em Salvador! Aquilo foi uma loucura, mas superamos tudo'', disse o ex-jogador lembrando que o Bahia jogou a primeira semifinal numa quinta-feira, logo após a quarta de cinzas. 

        Embora o Carnaval em Salvador seja tradicional, Bobô garante que não foi difícil que o elenco abdicasse das comemorações em prol do título, que estava próximo. Além disso, o ex-jogador lembrou que não houve tempo para festejar, já que o Bahia foi campeão em um domingo sobre o Internacional e na terça-feira estreou na Libertadores, diante do mesmo adversário.

        ''Quando percebemos que estávamos em um momento especial, diferente do que já tínhamos vivido como atletas profissionais, com uma condição muita clara de chegar ao título, o Carnaval ficou em quinto plano. Nós estávamos tão focados no jogo que nem comemoramos direito. Nós fomos a uma churrascaria jantar e voltamos para concentrar, porque dois dias depois tinha jogo pela Libertadores. Só comemoramos na quarta, quando chegamos em Salvador. Aí, fizemos um Carnaval fora de época. Foi uma festa da zorra!'', divertiu-se Bobô.  

        Clássico nordestino

        Como o Vasco liderou os dois turnos, uma vaga foi aberta para o time com a maior soma total de pontos do grupo B. E este foi justamente o Bahia. A partir da fase de mata-mata Bobô percebeu que Evaristo de Macedo estava certo: o Tricolor de Aço podia ser campeão. 

        ''Quando nos classificamos entre os oito melhores, tivemos uma sensação de que poderíamos ir mais adiante. Quando você chega nessa fase da competição, tem dois times do Nordeste, você se imagina indo mais a frente.'' 

        Nas quartas de final, um clássico regional: o Sport. Para Bobô, o confronto nordestino foi fundamental para que o Bahia arrancasse rumo ao título. Para o campeão de 1988, os duelos entre baianos e pernambucanos foram os mais difíceis da campanha. 

        ''É uma rivalidade regional. Quando íamos ao Recife, tinham os debates com as torcidas do Sport, Náutico e Santa Cruz. Quando passamos por eles, o que viesse era lucro. Talvez esse confronto contra o Sport tenha nos estimulado mais ainda, ganhamos uma confiança maior. Os jogos mais impactantes e que nos mostraram que tínhamos chances de ser campeões, foram contra eles. Foram jogos com drama'', lembrou Bobô. 

        Na partida de ida, na Ilha do Retiro, o Rubro-Negro abriu o placar com Nando, de cabeça. No segundo tempo, Paulo Robson cruzou rasteiro e encontrou Charles, que empurrou para o fundo das redes e garantiu um valioso empate longe de Salvador. Na volta, na capital baiana, novo empate no tempo normal, esse em 0 a 0, que persistiu até a prorrogação e confirmou o Bahia na semifinal, para encarar o Fluminense. 

        ''O gol de Charles foi fantástico e muito importante. Nós estávamos perdendo por 1 a 0, e até jogávamos bem, mas encontramos o gol e ele nos deixou em uma situação de jogar por dois empates, no tempo normal e prorrogação. Foi o que garantiu a nossa passagem'', lembrou Bobô. 

        A elegância sutil e decisiva de Bobô

        O primeiro encontro entre os tricolores foi no Rio de Janeiro, palco onde Bobô e companhia haviam sido derrotados na fase anterior. Porém, os comandados de Evaristo de Macedo repetiram a fórmula adotada contra o Sport e conseguiram voltar para Salvador com um empate na bagagem: 0 a 0. 

        Foi então que a estrela de Bobô brilhou. E para muita gente ver! A Fonte Nova recebeu 110.438 torcedores (o maior público daquela edição) e estima-se que cerca de 30 mil ficaram do lado de fora. Entretanto, logo aos dois minutos, um susto. Washington girou dentro da área e bateu para abrir o placar. Apenas 18 minutos de desvantagem e Bobô apareceu para cabecear e deixar tudo igual. 

        O Bahia foi melhor na partida e após um rebote da zaga, Gil encheu o pé e estufou as redes para colocar os donos da casa em vantagem e na final. Na decisão, o time baiano encarou o Internacional, do goleiro Taffarel, bola de ouro da competição, e do atacante Nilson, o artilheiro. O Colorado não intimidou o Tricolor Baiano. Bobô recordou que, há mais de 30 anos, o time já apresentava um futebol moderno, ofensivo, parecido com o das equipes da atualidade. 

        ''O ano foi de altos e baixos, tivemos momentos de acreditar e desacreditar e superamos com confiança, bom senso e qualidade. O Evaristo foi ajustando. O time era fantástico, mesmo quando perdemos, agredimos o adversário. Nós tínhamos uma ousadia típica dos times atuais, jogando no 4-3-3, com variações, atacando com cinco, seis jogadores e com volantes fazendo gols. O Bahia apresentou modernidade. Foi o melhor time disparado e o título foi justíssimo. Na semi e final, vencemos dois clubes que haviam nos vencido na primeira fase e até com facilidade, ambas por 3 a 0. O título mostra uma evolução extraordinária durante o campeonato. A forma de jogar, agressividade e a confiança mudaram e fizeram do Bahia o belíssimo time do ano'', detalhou Bobô. 

        Além do título, o talento de Bobô foi eternizado por Caetano Veloso na música ''Reconvexo'', lançada em 1989, que tinha o verso ''Quem não amou a elegância sutil de Bobô''. Principal nome da reta final com três gols em quatro jogos, o ex-camisa 8 lembrou que já tinha o costume de fazer as jogadas que resultaram nos gols decisivos e dividiu os créditos dos feitos com os companheiros e Evaristo de Macedo.

        ''Não se explica, acontece. Eu tinha muita liberdade para criar, usar a faixa do campo que queria. Evaristo e o grupo me davam muita liberdade e eu estava em um momento muito bom técnica e fisicamente. Os lances dos gols eu já tinha repetido nas fases anteriores, mas a bola batia na trave ou ia para fora. Como o time estava muito ajustado, as bolas começaram a entrar. Eu fui um predestinado. Foi um momento muito prazeroso e isso me orgulha demais.'' 

        Números da edição

        Média de gols: 1,90 gol/jogo

        Melhor ataque: Internacional - 40 gols

        Artilheiro: Nílson (Internacional) - 15 gols

        Jogador com mais partidas: Óscar Aguirregaray (Internacional) e Zé Carlos (Bahia) - 29 partidas.

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