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        1984: Fluminense encerra hegemonia rubro-negra e conquista o Brasileiro

        Texto por Eduardo Massa
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        Nas Laranjeiras costuma-se dizer que o Fluminense cresce nas adversidades, e surpreende quando menos se acredita. Longe das estrelas da "Máquina" de 70, e em um momento em que o Flamengo dominava o futebol nacional, o Tricolor forjou em meio à crise um esquadrão histórico e quase imbatível, que conquistou o primeiro Brasileiro do clube em 1984.

        Entre a tradição dos "Timinhos" que viraram "Timaços" no passado, e do sucesso futuro do "Time de Guerreiros", o Fluminense marcou época entre 83 e 85 com o tricampeonato estadual e seu primeiro Brasileiro, com um time jovem e talentoso, uma defesa praticamente inexpugnável, um meio-campo combativo e criativo, e um ataque imortalizado pelo "Casal 20". Um título que teve um gosto especial por ser o primeiro, ao menos para quem viveu a época, já que apenas muito mais tarde o Robertão teria a chancela dos títulos unificados.

        A edição de 1984 foi a última sob a denominação de Copa Brasil e contou com a participação de 41 clubes, incluindo o campeão da Taça CBF (segunda divisão) do mesmo ano, o Uberlândia, que entrou na terceira e última fase antes do mata-mata.

        O torneio de 84 marcou também o momento de força do futebol carioca na década, com a primeira final carioca, entre Fluminense e Vasco da Gama, depois de três títulos do Flamengo de Zico e companhia nos quatro anos anteriores.

        "Casal 20" renova esperanças

        O time campeão brasileiro em 84 começou a ser construído no ano anterior, e em uma situação nada confortável. Eliminado do Brasileiro cedo, em abril, o Fluminense se viu com um calendário vazio e com dificuldades financeiras. A ponto de ter de improvisar uma série de amistosos, com excursão para o Nordeste, praticamente sem descanso para conseguir recursos. Em entrevista a oGol, Duílio, contratado junto ao America em 83, recordou as dificuldades que moldaram aquela equipe.

        Dupla de zaga campeã
        "Tínhamos acabado de ser eliminados no Brasileiro. A situação financeira não era boa naquela época, hoje também não está muito feliz, mas naquela época também não estava boa. Fomos fazer o 'Luar no Sertão, com uns 10 jogos em 20 dias, para arrecadar pelo menos um mês de salário", explicou.

        Era preciso encontrar soluções para tornar o time mais forte, e com criatividade e um toque de sorte o Fluminense conseguiu se encaixar. Alguns nomes chegaram ainda para a disputa do Brasileiro de 83, como Duílio, outros foram promovidos mais tarde da base, como Ricardo Gomes. Mas uma dupla em especial trouxe novas esperanças já no fim de 83: Washington e Assis, o "Casal 20". E poderia ter sido diferente, não fosse por mais alguns contratempos.

        "Eu vim do America. Alguns subiram da base. A dupla de ataque na época seria Paulinho Cascavel e Luvanor. Só que o Paulinho Cascavel torceu o tornozelo (praticamente não jogou entre 83 e 84), e o Luvanor estava pedindo muito alto, porque tinha uma proposta da Itália (acabou por trocar o Goiás pelo Catania), e nós precisávamos de um atacante e um ponta de lança, por que um completa o outro, e foram buscar o Casal 20 no Athletico Paranaense. E eles encaixaram como uma luva", recordou.

        A eliminação no Brasileiro ficou no passado. O Fluminense venceu sob o comando de Cláudio Garcia a Taça Guanabara. O técnico pode levar os créditos por começar a montar o time campeão de 84, mas trocou o Flu pelo Fla no meio do Carioca, causando a ira dos torcedores. Carbone assumiu e liderou o Tricolor ao título estadual, o primeiro da série histórica, justamente contra o Rubro-Negro.

        "Fomos galgando, passo a passo. A equipe foi formada peça a peça, passo a passo, para podermos chegar a uma equipe consagrada do Fluminense, com memória no Fluminense, por que todo Tricolor sabe nossa equipe de cor, e quando o torcedor sabe a equipe de cor, na ponta da língua, é sinal que a equipe era muito boa", defendeu.

        A chegada de Romerito e a defesa imbatível

        A campanha do Fluminense em 84 foi praticamente impecável. O time perdeu a primeira vez apenas na sétima rodada, para o Santos, e só seria derrotado mais uma vez durante todo o campeonato, para o Goiás. Nenhuma das derrotas chegou a preocupar ou a comprometer a classificação do Tricolor. Ainda assim, os percalços levaram o clube a trocar de técnico mais uma vez, com Carbone dando lugar a Carlos Alberto Parreira.

        "O Parreira veio apenas acrescentar algumas coisas ao trabalho que vinha sendo feito pelo Carbone", explicou Duílio.

        Outro nome que chegou durante a campanha foi mais decisivo. O paraguaio Romerito, ex-New York Cosmos, estava destinado a ser ídolo nas Laranjeiras. Mas na época o grupo o recebeu com certa desconfiança.

        "Ele veio e era aquela desconfiança - Precisa dele para quê?!... Ele jogava muita bola! Ele tinha um motor. O que ele corria dentro de campo era brincadeira. E ainda fazia gol, ajudava a defesa", disse.

        O Fluminense foi crescendo durante o Brasileiro. A linha formada por Branco, Ricardo Gomes, Duílio e Aldo dava cobertura para um seguro Paulo VictorJandir reforçava a marcação no meio-campo com muita movimentação mais à frente, com Romerito e Delei; Tato, Assis e Washington. Essa foi a formação base da reta final eliminatória, quando a equipe esteve no auge, sem sofrer gols nos últimos cinco jogos, superando o forte Corinthians de Sócrates nas semifinais e o Vasco do artilheiro Roberto Dinamite na grande decisão. O gol do título veio de Romerito.

        "Na final do Vasco, foi uma roubada no meio de campo. Quem está fazendo às vezes de ponta é o Assis, por que o Tato fechou pelo meio. O Assis espaçou e fez o velho "overlap" que o Claudio Coutinho tanto gostava, e quando cruza, nós temos sempre dois ou três na área, o Washington não pegou, o Romerito chutou e já estava saindo para o abraço quando o Roberto defendeu. O Romero empurrou para dentro. Ai, é aquela história, façam lá na frente que a gente garante lá atrás", brincou Duílio.

        Números da edição

        Média de gols: 2,41 por jogo

        Melhor ataque: Vasco - 51 gols

        Artilheiro: Roberto Dinamite - 16 gols

        Jogador com mais partidas: Edevaldo (Vasco) - 26 jogos

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