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        Brasileirão
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        1981: Nasce o 'Esquadrão Imortal' e conquista o Brasil

        Texto por Ryann Gomes
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        O Campeonato Brasileiro de 1981, sem sombra de dúvidas, foi um divisor de águas na história do Grêmio. Após ver o maior rival, Internacional, dominar a década de 70, com um incontestável tricampeonato, o Tricolor Gaúcho se viu na obrigação de “sair da sombra” do Colorado. E o nascimento de um “Esquadrão Imortal” se encarregou deste papel.

        “Existia uma pressão para o Grêmio ganhar um Campeonato Brasileiro. O Inter já era tricampeão e a rivalidade aqui na Sul é muito grande. Faltava essa conquista para nós e nos preparamos bastante para isso”, revelou Paulo Roberto, em entrevista ao oGol.

        Em mais uma “edição inchada”, como as anteriores, a então chamada Taça de Ouro de 81 contou com a participação de 44 clubes, quatro a mais do que o campeonato anterior.

        Pela primeira vez, a Confederação Brasileira de Futebol adotou como critério de acesso à Taça de Ouro os resultados dos campeonatos estaduais. Com isso, times que que foram mal classificados nos estaduais daquele ano, como Palmeiras, Náutico e Bahia, começaram o certame na Taça de Prata, subindo para a Taça de Ouro na fase seguinte.

        Um esquadrão no topo

        Como toda equipe em construção, o Grêmio encontrou dificuldade no início de processo de reformulação. Apesar de dar mostras do poder letal que tinha, o Tricolor Gaúcho ficou apenas na quarta posição de seu grupo na primeira fase, ficando atrás de equipes como Goiás, Operário e Portuguesa.

        “Na virada da primeira fase, onde não fomos tão bem, houve uma cobrança grande por uma guinada no time. A partir daí, surgiram chances para mim e para os mais jovens como Newmar, Paulo César, Casemiro, Odair, China... E junto com os mais experientes, conseguimos encaixar e crescer até as fases finais”, lembrou Paulo.

        Apesar de não apresentar um futebol tão vistoso num primeiro momento, aquele Grêmio, comandado pelo experiente e vencedor Ênio Andrade, que havia vencido o Brasileiro dois anos antes pelo rival Inter, era um time voluntarioso que tinha a defesa sólida e o ataque veloz como pontos fortes. Além disso, o domínio do vestiário pelos mais experientes também foi fundamental, como relata Paulo Roberto.

        “Havia equilíbrio em todos os setores do campo. Era um time que tinha uma defesa sólida e um ataque rápido na transição, com Tarciso, Baltazar e Odair, que também ajudavam na recomposição. Nossa marcação era muito forte, dificilmente tomávamos mais que dois gols em uma partida", ressaltou.

        "Tínhamos jogadores com grande experiência em seleção como o De León, no Uruguai, Leão, Paulo Isodoro, Vilson Taddei (no Brasil)... Eles que comandavam o vestiário. Mesmo com toda notoriedade que eles tínham, eram caras humildes que me ensinaram muito junto com o professor Ênio”.

        Apesar da afirmação de Paulo Roberto, houve um momento específico onde a defesa gremista sofreu nas mãos de um ataque poderoso. Na segunda fase, diante do “todo poderoso” e favorito São Paulo, já que o Flamengo se poupava para a Libertadores, o Grêmio perdeu por 3 a 0, com três gols marcados por Serginho Chulapa.

        “Serviu de aprendizado muito grande a derrota para o São Paulo. Nós tínhamos um respeito muito grande por aquela equipe, que tinha, pelo menos, sete jogadores de seleção. A gente ficou chateado, lógico, com o resultado, mas o professor Ênio conseguiu transformar essa frustração em confiança para a continuidade do campeonato”, garantiu.

        A confiança realmente veio. No mata-mata, o Tricolor foi, fase a fase, superando seus adversários até chegar ao tão esperado reencontro com o São Paulo na decisão. Para Paulo Roberto, a vitória diante da Ponte Preta na semifinal e o clima de “já ganhou” criado pela imprensa paulista uniram o grupo gremista para ir “ao limite” para se imortalizar na história do Campeonato Brasileiro. 

        “Na semifinal, aquela virada sobre a Ponte nos deu um gás especial. Nós sabíamos que tínhamos que chegar perto da perfeição para vencer o São Paulo. E nós vencemos tanto em Porto Alegre como no Morumbi. Uma coisa que pouca gente acreditava. Acho que só nós mesmos acreditávamos que isso pudesse ser possível. A imprensa paulista já dava como certo o título do São Paulo e fomos lá e vencemos os dois jogos. Nossa conquista foi incontestável”, concluiu. 

        Com festa em Porto Alegre, especialmente no recém-inaugurado Olímpico Monumental, que foi peça importante na campanha, o Grêmio colocou seu nome na história e deu início a um grupo seleto da história do clube lembrado como “O Esquadrão Imortal”. 

        “Essa conquista foi um marco na história do Grêmio, a primeira conquista nacional do clube. A partir daí o time começou a se notabilizar, disputar uma Libertadores. Acredito que o termo Imortal tenha surgido daí, de um time que venceu em meio as dificuldades”, finalizou.

        Números da edição

        Média de gols: 2,46 gol/jogo

        Melhor ataque: Vasco - 41 gols

        Melhor defesa: Náutico - 7 gols sofridos

        Artilheiro: Nunes (Flamengo) - 16 gols

        Jogador com mais partidas: Emerson Leão – 23 jogos

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