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        1980: o primeiro ato do esquadrão de Zico

        Texto por Carlos Ramos
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        O Campeonato Brasileiro de 1980 marcou o início do domínio do Flamengo, de Zico. Já soberano no Rio de Janeiro, aquele esquadrão ampliaria o território de seu domínio, que chegaria também a conquistas internacionais. Antes disso, 1980: o primeiro grande ato do esquadrão rubro-negro, dando à Nação o primeiro título brasileiro do clube. 

        Denominado Copa Brasil, o Brasileirão de 1980 foi o primeiro organizado pela recém-criada Confederação Brasileira de Futebol, que surgiu com o desmembramento da Confederação Brasileira de Desportos. 

        Se sob a pressão da ditadura a CBD inchava o Brasileirão, a CBF atendeu o pedido dos clubes e formou um campeonato com 40 times. Tudo bem, ainda um número grande, mas menos da metade dos 94 que disputaram o campeonato um ano antes. 

        Conhecido também como Taça de Ouro, o Brasileirão viu, pela primeira vez, a formação de duas divisões inferiores: a Taça de Prata e Taça de Bronze. América de São Paulo, Americano, Bangu e Sport entraram na segunda fase da Taça de ouro como melhores colocados da primeira fase da Taça de Prata, mas foram logo eliminados. 

        O Flamengo, de Zico 

        Com o passar das fases da competição, um clube ia sobressaindo: o Flamengo. Comandado pelo inovador Cláudio Coutinho, aquele Rubro-Negro apresentava uma geração notável. 

        No meio de craques como Mozer, Leandro, Júnior, Adílio, Carpegiani e companhia estava o grande protagonista: Zico. Em entrevista para oGol, o Galinho confessou que o título brasileiro de 87 foi o que mais ficou marcado em sua carreira, mas a conquista de 80 foi especial. 

        "O que ficou mais marcado foi o de 87, mas esse é a quela história de sutiã: o primeiro, a gente nunca esquece. Pela situação que foi, pelos números", disse Zico.

        O Galinho ressaltou que perdeu apenas uma partida naquela competição. E foi através dela, uma derrota por 2 a 1 para o Botafogo, da Paraíba, que o time buscou forças para o título. 

        "Eu só perdi um jogo, talvez o mais importante para nós, contra o Botafogo da Paraíba, no Maracanã. Era uma coisa dificílima para o Flamengo perder jogos no Maracanã, ainda mais para um clube que não tinha tanta expressão. Aquilo foi fundamental, porque foi no início da competição, e a gente vinha de um 79 cheio de conquistas e ali a gente acordou. Dali em diante, a gente só foi perder o primeiro jogo da final contra o Atlético Mineiro, que eu não joguei. Que foi 1 a 0 em Belo Horizonte", recorda Zico.

        Foram 17 jogos seguidos sem perder. Zico revela que a grande força daquele time, que atropelou adversários pelo caminho, foi a junção de três gerações consagradíssimas na Gávea.

        "Foi nesse campeonato que a gente começou a juntar três gerações. A minha, do Júnior, Cantarelli, Rondinelli. Depois Adílio, Tita, Andrade. E em 1980 do Leandro, Mozer, depois desse campeonato. Então foi um campeonato, realmente, inesquecível que faz agora 40 anos", ressaltou. 

        O Galinho artilheiro

        Zico foi o grande destaque naquela campanha e foi, pela primeira vez na carreira, o artilheiro do Campeonato Brasileiro, com 21 gols em 19 partidas, média de 1,11 gol por jogo. O camisa 10 da Gávea revela como funcionava a dinâmica do time para ele marcar tantos gols. 

        "Eu fazia treinamento de chegar na área, trabalho de velocidade curta, de arrancada. A jogada está correndo na direita, fazia o lançamento e corria para a área para ajudar o centroavante. Às vezes, o cara que está marcando se distrai mais com um cara que vem de trás do que o cara que está na frente. Quando tinha jogada de fundo, eu acelerava e, com isso, tinha uma vantagem grande de chegar na frente de quem estava marcando. Eu vejo, hoje, muito meia que mete uma bola e fica parado para o cara resolver. A gente tinha um outro meia, que era o Adílio, que se infiltrava. A gente tinha sempre opção, ou comigo ou com ele", começou a explicar Zico.

        "O Adílio era um cara que entrava na área, fazia muitos gols. Desnorteava os adversários. O cara não sabia a quem marcar. O Adílio já era um cara que chegava mais na resistência, eu no arranque. Eu não era um cara de ter uma velocidade de 50 metros. Mas em 20, 30, eu saía sempre na frente. E eu treinava muito isso porque eu utilizava no jogo", completou. 

        Zico chegou a marcar quatro gols contra o Itabaiana e três contra a Desportiva Ferroviária. Na semifinal, marcou dois contra o Coritiba e na decisão, fez o segundo na vitória no Maracanã sobre o Atlético, por 3 a 2, jogo do título. 

        "Eram dois times que fizeram a base da seleção de 82 com o Telê. O Telê manteve a base dos dois times. Eram jogos excepcionais, Flamengo x Atlético. Criou-se essa rivalidade porque eram os dois times talvez os melhores do Brasil na época", lembrou Zico. 

        O Brasileirão de 80 escreveu um capítulo da rivalidade contra o Galo e da soberania daquele Flamengo, que ainda voltará a ser protagonista no nosso especial. Mas, como Zico falou: "é aquela história de sutiã: o primeiro, a gente nunca esquece". 

        Números da edição

        Média de gols: 2,69 gols por partida

        Melhor ataque: Atlético Mineiro e Flamengo - 46 gols 

        Artilheiro: Zico - 21 gols 

        Jogador com mais partidas: Pedrinho Gaúcho (Atlético Mineiro) e Tita (Flamengo) - 22 jogos

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