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        Carlos Alberto Torres: o capitão dos capitães

        Texto por ogol.com.br
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        Carlos Alberto Torres ficou conhecido no futebol pela liderança, por ser enérgico, de personalidade forte, por falar o que pensa, mas, também, por jogar muita bola. Foi um dos maiores laterais direitos da história, considerado por muitos até o maior lateral da história. Capitão do tri, foi fiel escudeiro de Pelé no Santos, na seleção e no Cosmos, nos Estados Unidos. Fez carreira também como técnico e sempre foi um revolucionário. 

        O Capita começou no Fluminense, ainda na década de 1960. Se destacou por ser um lateral ofensivo, algo não tão comum para a época, e logo virou titular com a camisa tricolor. Não demorou, também, a iniciar sua trajetória na seleção brasileira. 

        Carlos Alberto Torres aceitou o pedido da então Confederação Brasileira de Desportos para não se profissionalizar no Flu visando jogar o Pan de 1963. O lateral aceitou e acabou campeão do Pan, disputado na época em São Paulo. No ano seguinte, foi campeão carioca pelo Flu. 

        A mudança para o Santos e a parceria com Pelé 

        Torres já era considerado um dos principais laterais do país quando resolveu deixar o Fluminense para assinar com o Santos. O Peixe estava montando uma das maiores equipes que o futebol brasileiro já viu, e trouxe o jovem lateral carioca para se juntar a Pelé e companhia. 

        A torcida do Tricolor ficou tão desesperada pela saída do jogador, que girou em torno de 200 milhões de cruzeiros na época, que, segundo relatos de jornais de então, alguns torcedores ameaçaram colocar fogo nas Laranjeiras. Nada disso aconteceu (ainda bem), mas Carlos Alberto foi para a Vila Belmiro. 

        Aos 20 anos, o lateral já era o jogador mais caro do país. Uma pressão enorme, mas Carlos Alberto Torres, com sua personalidade forte desde sempre, deu de ombros para isso e, dentro de campo, seguiu apresentando seu futebol revolucionário. 

        Logo no primeiro ano pelo novo clube, o lateral foi campeão Paulista e Brasileiro. Carlos Alberto caiu como uma luva no time do Santos, que encantou o Brasil por jogar um futebol ofensivo. Ao contrário dos outros laterais da época, Carlos Alberto não se limitava a defender e municiou o ataque de Pepe, Coutinho, Pelé, Mengálvio, Lima e companhia. 

        O Capita fez história no Peixe que foi tricampeão paulista naquela década, de 1967 a 1969, e voltou a ser campeão brasileiro em 1968, se consolidando como a grande referência da lateral direita. O grande desempenho no Alvinegro, que teve ápice no título do Mundial de 1968, o levou para a seleção. 

        O capitão do tri 

        Carlos Alberto já havia sido convocado pela seleção principal pela primeira vez em 1964, mas foi a partir de 1968 que se firmou de vez no time. Em 1966, chegou a estar na primeira lista para a Copa do Mundo, mas acabou cortado. Em 1970, foi diferente. 

        Titular absoluto nas Eliminatórias, Carlos Alberto Torres chegou na Copa de 70 em alta, já com os muitos títulos pelo Santos. No time de Zagallo, continuou a ser um lateral revolucionário, participando das ações ofensivas da equipe que encantou o mundo no México. 

        Pelé, Tostão, Jairzinho, Gerson e Rivellino eram protagonistas, mas quando era preciso, o lateral aparecia para dar suporte na direita. Suporte não só em campo, como também fora das quatro linhas: o Capita era o grande líder daquela equipe e o representante dos jogadores. 

        Carlos Alberto foi titular em todos os jogos daquela Copa e era uma espécie de técnico em campo. Na semifinal, contra o Uruguai, foi ele que organizou a troca de posições entre Gérson e Clodoaldo: o Canhota recuou e Clodoaldo ficou solto para fazer um dos gols da vitória por 3 a 1. 

        Torres encantou o mundo também na final, talvez o grande jogo de uma seleção brasileira em Copas. O Brasil enfiou 4 a 1 na Itália e a última imagem do jogo é aquela, de Pelé ajeitando para o Capita, com um petardo, garantir o título, garantir o tri!

        A volta ao Rio

        Depois de levantar o Tri em 1970, Carlos Alberto Torres ainda teve algumas idas e vindas na seleção, mas nunca mais jogou uma Copa do Mundo e finalizou a participação com a "Amarelinha" marcando oito gols em 52 partidas. 

        Torres também teve idas e vindas no Santos. O lateral deixou o clube em 1971 para uma rápida passagem pelo Botafogo. Em 1974, saiu em definitivo e voltou para o clube que o formou, o Fluminense, onde seria bicampeão carioca. 

        O lateral direito se despediu do Fluminense em 1977 para jogar no rival, Flamengo, mas a passagem na Gávea não durou muito tempo. Logo, o lateral voltaria a ser campeão com Pelé, dessa vez lá nos Estados Unidos... 

        A nova parceria com Pelé e a despedida 

        Pelé estava prestes a encerrar a careira, em 1977, sem conseguir conquistar um título pelo New York Cosmos. O time, então, fez de tudo para ajudar o Rei. Primeiro contratou Franz Beckenbauer, mas depois buscou o principal: Torres. 

        Um dos grandes companheiros da carreira de Pelé, Torres apareceu na reta final da North American Soccer League de 1977. Para muitos, foi o que faltava ao time para o título, enfim, sair, e o Rei do Futebol pôde se despedir com mais um troféu, de novo com a parceria de Torres. 

        O lateral ainda seguiu nos Estados Unidos até o início da década de 1980 e, com Beckenbauer, levou o Cosmos a quatro títulos da liga. O alemão, outra lenda do futebol, virou um grande amigo de Torres, mas era, acima de tudo, um grande fã do lateral, reconhecido mundialmente como um dos grandes do futebol. 

        O Capita como técnico 

        Depois de encerrar a carreira como jogador, Carlos Alberto Torres virou técnico. Começou ainda em 1983 e logo no Flamengo, o principal time brasileiro da época. Dirigiu Zico e companhia, e fez do Flamengo, mais uma vez, campeão brasileiro. 

        A estratégia de Torres foi mais não atrapalhar os jogadores do que propriamente tentar grandes mudanças táticas. Deixou o time livre para fazer o que mais sabia, que era jogar futebol, e deu certo. Adotou, ainda, uma medida polêmica para a época: aboliu a concentração. Ganhou a confiança do grupo, campeão brasileiro de 1983. 

        Assim como jogador, Torres passou por três dos quatro grandes do Rio e comandou também o Fluminense, o time em que iniciou no futebol, e o Botafogo. Um dos momentos mais marcantes da carreira do Capita como técnico foi exatamente em General Severiano. 

        Em 1993, o Glorioso vivia muitos problemas financeiros. Torres teve de apostar em jogadores pouco conhecidos e tirou dinheiro do próprio bolso para o elenco ter uniforme e bolas para trabalhar. No meio das dificuldades, veio o único título internacional de Torres como comandante. 

        Carregado por Sinval, atacante que fora contratado do pequeno Novorizontino, o Botafogo faturou a Copa Conmebol com vitória nos pênaltis sobre o Peñarol. Quem acompanhou Torres na época garante que o treinador nunca havia ficado tão nervoso em um jogo quanto na decisão daquele torneio. 

        Torres trabalhou pela última vez como treinador em 2005, no Paysandu. Depois, deixou o banco, mas nunca perdeu a importância no meio, sempre reconhecido internacionalmente e uma voz ativa no cenário nacional. Foi comentarista de TV até 2016, quando faleceu vítima de um infarto fulminante. 

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