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        Dadá Maravilha: codinome beija-flor

        Texto por Carlos Ramos
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        Dadá pairava no ar igual beija-flor e helicóptero, e não tinha vergonha nenhuma em cumprir sua função no futebol: "feio é não fazer gol". Dadá balançava as redes de todas as formas, em todos os momentos. Se tornou amigo íntimo delas. Com seu Peito de Aço, conquistou a torcida do Atlético Mineiro e ganhou o mundo com a seleção brasileira. Foi um dos grandes atacantes da história do futebol brasileiro, e também um dos nomes mais folclóricos do nosso futebol. 

        Dario José dos Santos é carioca de Marechal Hermes. De família humilde, sofreu com uma infância pobre. Perdeu a mãe em um suicídio trágico: ela se incendiou na frente do filho, então com apenas cinco anos. Dadá viu tudo, e foi jogado na vala pela mãe para não morrer junto. 

        A história de superação

        O jovem foi colocado em um orfanato, já que o pai não tinha condições de criá-lo. Dadá foi de mal a pior e se virou para o mundo do crime. Virou assaltante e, segundo o próprio, "com dinheiro de assalto, comprei uma bola. E comecei a jogar, porque o dono da bola joga", confessou, em entrevista para a Revista Piauí em 2018. 

        Dadá tinha 19 anos. Era, segundo ele mesmo, muito ruim. Tropeçava na bola. Desengonçado, era humilhado pelos colegas de bairro. Começou a se destacar quando passou a jogar no ataque pela velocidade. "Correr de tiro e da polícia... Não tem treinamento melhor". 

        O jovem se destacava também pela impulsão. "Subir em árvore e pular muro da muita impulsão". Já com o respeito no time do bairro, passou a fazer testes nas principais equipes do Rio de Janeiro. Foi rejeitado por todos, do Flamengo ao Campo Grande. "Você é horroroso", ouvia. 

        Na sétima vez que foi buscar uma chance no Campo Grande, ouviu de Gradim o primeiro sim. "Nunca fiquei em nenhum clube porque sou muito pobre, não tomei nem café e nem almoço, venho treinar de tarde cansado, com fome e debilitado, então caio toda hora. Se me der um prato de comida, você tem um artilheiro". 

        Dadá foi alimentado no Campo Grande. "Comi tanto que babava". Na hora do treino, continuou ouvindo que era "muito ruim", mas convenceu pelo faro goleador: marcou três gols no primeiro coletivo. Gradim resolveu comprar a briga e apostou em Dadá. Deu muito certo. 

        Gradim lapidou as duas virtudes de Dadá (velocidade e impulsão) e o atacante logo entregou resultado dentro de campo. A ascensão foi rápida e, pouco tempo depois de estrear no Campo Grande, o jovem se mudou para Belo Horizonte. 

        Com a camisa do Atlético Mineiro, Dadá virou Maravilha. Demorou algum tempo para virar titular no Galo, mas quando virou, estourou de vez. Dois anos depois de chegar em BH, em 1970, já estava na Copa do Mundo com a seleção brasileira. 

        Ídolo do Galo

        Apesar de não ter entrado em campo, fez parte do time que conquistou o tricampeonato mundial do Brasil. O Dadá que poucos anos antes estava roubando nas ruas do Rio de Janeiro subiu até o topo do mundo. 

        No mesmo ano de 1970, Dadá conquistou seu primeiro título pelo Atlético, o do Campeonato Mineiro. Mas foi em 1971 que o atacante se confirmou como um dos grandes artilheiros da história do clube, na campanha do Campeonato Brasileiro. 

        O campeonato tinha um novo formato, sendo organizado pela primeira vez pela CBF. Dadá foi o grande nome do time, com atuações marcantes, como na vitória pior 2 a 1 sobre o Santos, de Pelé, ao anotar os dois gols mineiros. Na segunda fase, no Beira-Rio, o time de Telê Santana mostrou que se tornava o favorito ao título com grande vitória sobre o Internacional, no Beira-Rio, por 4 a 1. Dadá, mais uma vez, marcou dois gols. 

        Dadá foi somando gol atrás de gol, e chegou a 14. Até o jogo decisivo, no triangular final, contra o Botafogo, no Maracanã. O jogo estava 0 a 0. Humberto Ramos levou bola no flanco direito e cruzou para a área. Dadá, como um beija-flor, pairou no ar e tocou de cabeça para mandar para rede. No Rio de Janeiro, sua casa, Dadá conquistou o primeiro título nacional atleticano. O lance é sempre lembrado pelo atacante. Dadá, codinome beija-flor.

        Artilheiro do Brasileiro com 15 gols em 71, Dadá reconquistou a artilharia no ano seguinte, com dois gols a mais (dessa vez dividido com Pedro Rocha, do São Paulo), mas o Galo acabou eliminado ainda na segunda fase de grupos. 

        Artilheiro em rubro-negro 

        Dadá voltou ao Rio de Janeiro para jogar no Flamengo em 1973. Continuou balançando as redes de todas as formas. Chegou a ficar afastado um tempo por ter inflamado a gengiva por um gol feito com a boca com a camisa rubro-negra. 

        Foi artilheiro do Campeonato Carioca de 1973, com 15 gols, e campeão Estadual no ano seguinte. Em 1975, se mudou para Recife e ajudou o Spot a encerrar um jejum de títulos e ainda foi o principal goleador do Pernambucano daquele ano. 

        No ano seguinte, fez história ao marcar dez gols em um único jogo contra o Santo Amaro, também pelo Pernambucano. O fato é um recorde no futebol brasileiro, e Dadá brinca às vezes: "Garrinha, Pelé e Dadá têm que fazer parte do currículo escolar": 

        Artilheiro do Brasil de novo

        Ainda em 1976, Dadá se mudou para Porto Alegre para defender o Internacional no Campeonato Brasileiro. Comandado por Rubens Minelli, formou um ataque com Valdomiro e Lula, e contou com o apoio de Falcão e Batista no meio. 

        O Colorado formou um dos grandes times da história do futebol brasileiro. Com campanha impecável, o time de Dadá deixou pelo caminho o Atlético Mineiro na semifinal e, na decisão, venceu o Corinthians. Dadá marcou um dos gols do triunfo e foi, pela terceira vez, artilheiro do Brasileiro, com 16 gols. 

        Dadá virou, então, um andarilho da bola, volte e meia retornando para sua casa, no Atlético Mineiro, onde voltou a ser campeão mineiro em 1978. Jogou em diferentes centros do futebol brasileiro, deixando marcas em Bahia, Paysandu, Coritiba, Ponte Preta, e até Nacional, do Amazonas, sendo artilheiro do Amazonense em 1985. 

        A aposentadoria veio no ano seguinte, mas Dadá nunca largou o futebol. Seguiu como comentarista e se manteve um personagem folclórico, com frases marcantes. O jovem menino que roubava nas ruas cariocas se tornou um dos grandes nomes do futebol brasileiro, sempre com frases marcantes. No caso de Dadá, "a problemática virou a solucionática", e o futebol salvou a sua vida. 

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