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Raí, o terror do Morumbi

Texto por Rodrigo de Brum
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A origem do nome Raí remete à palavra alemã 'ragin', que pode significar conselho ou recomendação. E se fosse possível indicar um responsável pela ascensão do São Paulo no futebol sul-americano na década de 1990, provavelmente o primeiro nome a vir à cabeça seria o de Raí Souza Vieira de Oliveira, o Raí, ou como a torcida tricolor se acostumou a dizer, Raí, o Terror do Morumbi.

Raí nasceu em Ribeirão Preto onze anos depois do irmão Sócrates. Talvez o mais recomendável para o irmão mais novo seria escolher outra carreira, devido a fama do mais velho. Porém, a história e inúmeras conquistas de Raí no futebol provam que ele tomou o melhor caminho.

Em comum na história dos dois, um grande comandante. Telê Santana esteve à frente da seleção brasileira de 1982, uma das mais lembradas de todos os tempos mesmo sem ter sido campeã, e do São Paulo bicampeão da Libertadores, bi-Mundial, e campeão brasileiro nos anos de 1990.

Início no Botafogo em Ribeirão

Já no começo da carreira, Raí despontou como um meia talentoso na sua cidade natal. Ele subiu para a equipe profissional do Botafogo em 1984 e anos depois foi emprestado para a Ponte Preta. Por conta de lesões retornou ao Botafogo em 1987 para a disputa do Campeonato Paulista.

Com boas atuações, foi convocado para a seleção brasileira e disputou dois jogos pela Copa América daquele ano. Depois de alguma disputa entre os rivais, Raí, diferentemente de Sócrates, optou por aceitar a proposta do São Paulo ao invés do Corinthians.

As glórias pelo São Paulo

No Morumbi, assim como em Ribeirão Preto, Raí levou algum tempo para se adaptar. O meia estreou pelo Tricolor em outubro de 1987 em vitória por 1 a 0 sobre o Grêmio, pelo Brasileirão. De lá até 1990, Raí disputava espaço no elenco. Mas a chegada de Telê Santana ao clube mudou totalmente esse panorama. 

Em 1991, o São Paulo chegou ao tricampeonato brasileiro. Capitão e artilheiro do clube no torneio com sete gols, Raí passava a ser uma das principais figuras da equipe.

Tricolor conquista a América e o mundo

Depois da conquista nacional, o São Paulo chegava à final da Copa Libertadores no ano seguinte. Na decisão contra o Newell's Old Boys, da Argentina, o Tricolor perdeu o jogo de ida, por 1 a 0, fora de casa. No Morumbi, o time argentino conseguiu segurar o resultado até os 20 minutos da etapa final.

Em cobrança de pênalti, com muita categoria, Raí deixou tudo igual e a disputa foi para os pênaltis. Melhor para o Tricolor, que contou com atuação inspirada do goleiro Zetti para levantar pela primeira vez o troféu do principal torneio sul-americano.

Ainda faltava conquistar o mundo. Em uma das maiores atuações de sua carreira, Raí guiou o São Paulo à virada diante do Barcelona, em Tóquio, no Japão. Depois de ver sua equipe sair atrás no placar, gol de Stoichkov, Raí empatou o duelo com o seu famoso gol de barriga, e na sequência fez uma obra-prima. Em cobrança de falta magistral, o camisa dez deixou o goleiro Zubizarreta estático com uma linda batida no contrapé.

No ano seguinte, mais uma vez Raí foi essencial. Artilheiro do time com quatro gols, o meia são-paulino fez outra Libertadores brilhante. O Tricolor Paulista massacrou a Universidad Católica no jogo de ida, com direito a gol de peito de Raí, por 5 a 1, e carimbou o título mesmo com derrota na volta por 2 a 0. Era a despedida de Raí no clube. Era hora de ganhar a Europa.

Campeão do Mundo e brilho no PSG

No segundo semestre de 1993 Raí se transferiu ao Paris Saint Germain, da França. Assim como era costumeiro em sua carreira, levou um tempo até se adaptar. Mas, logo no ano seguinte, ele foi campeão francês e do mundo.

Após iniciar a Copa de 1994 como titular, Raí perdeu a posição para Mazinho, nas oitavas contra os Estados Unidos, e assistiu o restante da Copa do banco de reservas. Ainda assim, depois de 24 anos de fila para o país, pôde comemorar um título mundial pelo Brasil, algo que o irmão, Sócrates, não conseguiu. Ainda no PSG, ele conquistou mais dois títulos, ambos na Copa da França, em 1995 e 1998.

Volta ao São Paulo e aposentadoria

Na ciranda que é o futebol, Raí voltou para o São Paulo em 1998, na decisão do Campeonato Paulista. E voltou para escrever de vez seu nome como um dos grandes ídolos da história do clube. O meia marcou um dos gols na vitória por 3 a 1 contra o Corinthians.

Raí ainda seria campeão paulista pela sexta vez no ano 2000, em retorno após uma grave lesão. Seu último gol como profissional aconteceu diante do Palmeiras, pelas quartas de final da Copa do Brasil, em triunfo por 3 a 2. 

Anos depois, já fora das quatro linhas, Raí ainda voltaria ao Morumbi como coordenador de futebol. Mas sua história, em campo, ficou guardada nos corações dos torcedores são-paulinos. Raí foi "o Terror do Morumbi".

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